Imagem: O Antagonista
Novos relatórios sigilosos da Polícia Federal revelam o funcionamento de um suposto núcleo de lobby operado por Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e a empresária e lobista Roberta Luchsinger. A investigação, que corre no Supremo Tribunal Federal sob a relatoria do ministro André Mendonça, aponta que o grupo utilizava canais diretos e o nome do Palácio do Planalto para agenciar negócios de grande porte com órgãos da administração pública federal, incluindo o Ministério da Saúde e a Dataprev.
As Projeções de Faturamento e a Divisão de Lucros
De acordo com os relatórios da PF baseados na quebra de sigilo do celular de Roberta, o grupo mantinha uma “comunhão de interesses econômicos” muito bem estruturada. Em uma das frentes de atuação — que envolvia uma parceria com o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, para a venda de medicamentos à base de canabidiol para o governo —, a minuta de contrato elaborada por Roberta previa uma remuneração de 20% sobre o faturamento obtido com os órgãos públicos.
O nível de ambição financeira do núcleo fica evidente nas mensagens de texto trocadas entre os envolvidos. Em um dos diálogos interceptados, a empresária Roberta Luchsinger chegou a afirmar expressamente que projetava um faturamento de R$ 100 milhões apenas com os negócios articulados no ano de 2024.
Diálogos sobre o Trânsito Político e Menções a Lula
Embora Lulinha adotasse uma postura de menor exposição nas tratativas, a PF destaca que ele aparece de forma reiterada como a “figura de elevada relevância” e a palavra final nos projetos do grupo. As conversas revelam que Roberta atuava na linha de frente, cobrando acessos a autoridades e reclamando de resistências que encontrava na burocracia estatal.
Em uma das trocas de mensagens, Roberta reclama da resistência de Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, então chefe de gabinete do presidente Lula. Ela relata que Marcola estaria dificultando um avanço e pede a intervenção de Lulinha, que responde informando que já estava em seu terceiro almoço de articulação com o chefe de gabinete. Em outro trecho de forte impacto político capturado nos relatórios da inteligência, Roberta envia uma mensagem a interlocutores afirmando textualmente: “Lula chamou e perguntou: escolhe onde quer ficar”.
Apesar das pressões e da proximidade do grupo com o topo do poder, uma manifestação recente da Procuradoria-Geral da República (PGR) enviada ao STF apontou que as tratativas do núcleo para favorecer empresas privadas não chegaram a culminar no fechamento definitivo de contratos ou repasses de recursos públicos pela União. A defesa de Lulinha nega enfaticamente qualquer irregularidade, classificando a investigação como uma “pesca probatória” sem indícios reais de crimes.
Com informações do Portal O Antagonista e VEJA









Deixe um comentário