Sem verba nem para panfletos, nominata acusa partido de priorizar chapa majoritária e aciona o MPF para investigar critérios de distribuição.
O tabuleiro político potiguar foi sacudido por uma rebelião interna em plena campanha eleitoral. A nominata inteira de candidatos a deputado federal pelo PSB do Rio Grande do Norte ameaça protocolar uma retirada conjunta e em bloco de suas candidaturas. O partido registrou exatamente oito postulantes à Câmara Federal no RN, de modo que uma debandada geral destruiria completamente a chapa proporcional da legenda no estado.
O principal combustível da revolta é a ausência de recursos. Embora a executiva nacional do PSB tenha abocanhado uma robusta fatia do Fundo Eleitoral, os candidatos da nominata proporcional alegam estar há semanas sem conseguir colocar as campanhas na rua por falta de repasses e desamparo operacional, acusando a sigla de não fornecer suporte contábil, assessoria jurídica básica ou confecção de materiais gráficos.
Doação para a majoritária inflama os bastidores
O clima de descontentamento evoluiu para a indignação total após virem à tona as reclamações internas envolvendo os focos de investimento da sigla. Candidatos da nominata questionaram publicamente uma doação de R$ 15 mil feita pelo marido de Larissa Rosado, o professor Paulo Sidney, para a campanha de Cadu, candidato ao Governo do Estado.
A manifestação gerou duras críticas entre os integrantes da chapa proporcional. Na avaliação dos revoltosos, o gesto reflete uma clara falta de prioridade com os candidatos do interior e de minorias, que relatam dificuldades financeiras extremas para manter suas próprias candidaturas viáveis nas ruas.
Ação no TSE e Notícia-Crime no MPF
A crise escalou para a esfera judicial. O candidato Pedro Henrique confirmou que o grupo vem cobrando esclarecimentos rigorosos. Uma ação já foi protocolada pela advogada Gleuce no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) questionando os critérios utilizados na partilha do fundo eleitoral.
Paralelamente, os candidatos apresentaram uma notícia-crime junto ao Ministério Público Federal (MPF) para obrigar a direção estadual a abrir as contas e detalhar as verbas recebidas pelo PSB/RN, bem como os critérios de repasse previstos em lei para mulheres e pessoas negras e pardas. O grupo lamentou o momento enfrentado pelo partido no estado, citando o legado histórico da ex-governadora Wilma de Faria, e mantém conversas com a executiva nacional antes de tomar uma decisão definitiva sobre a debandada.








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