O feriado da Independência do Brasil expôs, de forma clara, o atual cenário de polarização política e institucional vivido pelo país. Em paralelo ao tradicional e discreto desfile cívico-militar oficial comandado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Esplanada dos Ministérios, capitais de todo o Brasil registraram intensas manifestações de oposição e movimentos sociais. O principal motor dos protestos da direita foi a recente crise instalada no Supremo Tribunal Federal (STF).
A Avenida Paulista e o Foco no Judiciário
O maior ato da oposição concentrou-se na Avenida Paulista, em São Paulo, convocado pelo senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). De acordo com o Monitor do Debate Político da USP, o evento reuniu cerca de 28.500 pessoas em seu ápice.
Vestidos majoritariamente de verde e amarelo, os manifestantes levaram faixas, cartazes e bonecos infláveis pedindo o impeachment do ministro Alexandre de Moraes e prestando apoio ao ministro André Mendonça. Lideranças políticas como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, discursaram inflamando as cobranças para que o Senado cumpra seu papel de fiscalizar a Corte. O tema ganhou ainda mais tração após os recentes vazamentos de mensagens envolvendo o ministro Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Mobilizações em Brasília e Outras Capitais
A capital federal também teve dois focos de protestos simultâneos no Plano Piloto: um em frente ao prédio do Banco Central e outro no estacionamento da Funarte, ambos com fortes discursos direcionados contra o Palácio do Planalto e exigindo ações do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Pelo menos outras 11 capitais registraram atos semelhantes de oposição, incluindo Belo Horizonte, Salvador, Recife, Fortaleza e Belém. Em alguns pontos, como no Rio de Janeiro, candidatos buscaram trios alternativos tentando se descolar da polarização nacional.
O Grito dos Excluídos à Esquerda
Por outro lado, movimentos sociais e partidos alinhados à esquerda organizaram o tradicional 32º Grito dos Excluídos e Excluídas, que tomou as ruas em 24 estados do país. Sob o lema “Na defesa da terra, da paz e da moradia, erguemos a voz: Mulheres vivas e soberania”, as caminhadas focaram em pautas sociais.
Os principais pontos defendidos foram o fim da escala de trabalho 6×1, o combate ao feminicídio, o fim da terceirização de mão de obra e críticas a privatizações de serviços públicos. Na Praça da Sé, em São Paulo, o ato contou com forte teor político local, criticando as gestões estadual e municipal.
O 7 de Setembro serviu como um verdadeiro termômetro de mobilização popular, transformando a principal data cívica nacional em palco de disputas de narrativas e demonstrações de força institucional.








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