A literatura tem o poder de eternizar o que o tempo tenta apagar, e quando ela se une à memória afetiva e à culinária, o resultado é pura poesia social. O Colégio Logos desenvolveu uma iniciativa exemplar de resgate cultural intitulada “Gastronomia e memória: receitas como registros de saberes e tradições familiares”. O projeto pedagógico engajou os estudantes em uma profunda pesquisa documental e fotográfica para transformar relatos orais e trajetórias da comunidade em patrimônios biográficos escritos.
Uma das grandes estrelas desse acervo é Denise Maria de Medeiros Batista. Em uma autobiografia sensível e emocionante, Denise narra uma jornada marcada pela fé, pela resiliência familiar e pelo amor que transborda da cozinha. Filha de José Evangelista e Dalvani Félix, casada com Jandir Batista desde 1985, ela compartilha a dor profunda de ter perdido uma filha, Janiele, às vésperas do parto, e a alegria de ver a vida florescer novamente através de seus dois filhos (Janise e Dimas) e de seus cinco netos.
O tempero da resiliência: O Maná e os laços que alimentam
Embora tenha se formado no Magistério, os caminhos de Denise se cruzaram de forma apaixonante com a gastronomia. O aprendizado veio na prática, apoiado pela cunhada Nanci e pela avó Joaninha. Da venda de pãezinhos nas ruas comerciais à abertura da Lanchonete Maná, a trajetória de Denise na culinária nunca foi solitária. Foi uma construção coletiva, operada em família, ao lado do esposo, filhos, irmã e sobrinha.
Desde 2011, Denise integra com dedicação o setor financeiro do Colégio Logos, empresa onde completa 15 anos de história. Mas a paixão pelas panelas permanece viva: ela continua reproduzindo receitas com prazer para presentear o paladar daqueles que ama.
Escrever a própria história é um ato de resistência
O grande mérito do projeto literário do Colégio Logos é compreender que a história de um povo não é feita apenas pelos heróis dos livros didáticos, mas por pessoas comuns que constroem o cotidiano com amor, suor e resiliência. Ao colocar estudantes para pesquisar, fotografar e organizar materiais sobre gastronomia familiar, a escola promove uma educação viva.
O caderno de receitas e as memórias de Denise Batista provam que cozinhar e servir são atos de profunda doação humana. A iniciativa do Logos retira o estudante da passividade e o transforma em um guardião da história local, ensinando à nova geração que a maior riqueza de uma comunidade está nas memórias guardadas ao redor da mesa.







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