Editorial
Por JB Moura

Isso é gestão ou malandragem eleitoral?

Que fique claro desde o começo: as bets são um grave problema social.

O avanço das apostas sobre o orçamento das famílias, o risco de dependência e o comprometimento da renda de pessoas vulneráveis justificam medidas rigorosas de proteção.

Portanto, a discussão aqui não é defender as bets.

A pergunta é outra:

POR QUE SÓ AGORA?

Durante o governo Lula, o setor recebeu um novo marco regulatório. Em dezembro de 2023, o presidente sancionou a Lei nº 14.790, e o governo posteriormente estabeleceu regras de autorização, tributação e fiscalização das empresas.

Em agosto de 2026, o Ministério da Fazenda divulgou documentos referentes a 85 empresas habilitadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas.

Agora, diante de uma mudança de direção em relação ao setor, surge uma cobrança legítima:

Se o problema é tão sério, por que essa reação não aconteceu antes?

Combater os danos provocados pelas apostas é uma coisa.

Questionar o momento escolhido para mudar a política é outra completamente diferente.

Não há contradição nenhuma em defender medidas duras contra as bets e, ao mesmo tempo, exigir explicações do governo sobre suas próprias decisões.

Afinal, estamos falando de um mercado que passou por regulamentação, autorização, tributação e fiscalização estatal.

Por isso, algumas perguntas precisam ser respondidas:

O que mudou?

Quais fatos novos justificam essa mudança?

Por que somente agora?

Governos podem e devem, corrigir políticas quando identificam problemas.

Mas, quando uma mudança dessa dimensão acontece na reta final de uma eleição, o momento da decisão também fica sujeito ao escrutínio público.

A crítica, portanto, não é:

“Por que combater as bets?”

É exatamente o contrário:

POR QUE NÃO FIZERAM ISSO ANTES?

Se as apostas estão causando danos às famílias brasileiras, combatê-las pode ser uma resposta de política pública.

Mas a sociedade também pode cobrar coerência, transparência e explicações sobre o momento da decisão.

E é justamente daí que nasce a pergunta:

ISSO É GESTÃO OU MALANDRAGEM ELEITORAL?

Não precisamos defender as bets para fazer essa pergunta.

Precisamos apenas exigir que quem governa explique suas escolhas e o momento em que decide mudá-las.

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João Batista de Moura

Com formação em Pedagogia, Teologia e Psicanálise, além de MBA em Marketing e Gestão de Pessoas, JB Moura construiu uma trajetória consistente e multidisciplinar voltada à comunicação, ao desenvolvimento humano e à liderança.

São mais de 20 anos dedicados à comunicação no Seridó e no Rio Grande do Norte, com atuação consolidada no jornalismo e no rádio, sempre marcada pela credibilidade, clareza e compromisso com a informação de interesse público. Sua comunicação se destaca pela responsabilidade editorial e pela capacidade de traduzir temas relevantes de forma acessível e impactante.

Mais do que informar, JB Moura comunica propósito. Em suas palestras e no Minuto Esperança, une conhecimento, fé e experiência para transmitir mensagens que despertam consciência, fortalecem valores e oferecem direção, impactando vidas com profundidade e esperança.

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