Maquiagem em taxas de aprovação escolar e ineficiência crônica na gestão de recursos jogam o ensino público potiguar e baiano na lanterna dos rankings nacionais.

Os governos do Rio Grande do Norte e da Bahia compartilham uma narrativa política idêntica: são liderados por chefes do Executivo oriundos do ambiente acadêmico e sindical da educação. No entanto, o marketing político das gestões de Fátima Bezerra (PT) e Jerônimo Rodrigues (PT) colide de frente com a realidade estatística. Longe de serem modelos de excelência, os dois estados enfrentam uma crise estrutural profunda, marcada por baixa aprendizagem e, segundo especialistas, por uma deliberada distorção de dados para inflar os índices do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).

A maquiagem do fluxo: Aprovação forçada para subir no Ideb
O cálculo do Ideb baseia-se em dois pilares: a nota de aprendizado (as avaliações de Matemática e Português no Saeb) e o fluxo escolar (a taxa de aprovação dos estudantes). É exatamente neste segundo item que reside o artifício das gestões petistas.

No Rio Grande do Norte, o Ideb do Ensino Médio registrou uma alta artificial. Isso ocorreu porque a Secretaria de Educação ampliou a “progressão parcial”, permitindo que alunos reprovados em até seis disciplinas avançassem de série. Como resultado, a taxa de aprovação do ensino médio saltou de 75,8% para impressionantes 93,4%. Na prática, o estado mascarou a repetência sem melhorar o aprendizado. Em termos reais de conhecimento, o RN permaneceu nas piores colocações em proficiência do país, com alunos avançando sem saber o básico.

A Bahia seguiu receita semelhante. Apesar dos bilhões injetados em propaganda e estruturas físicas, o estado amargou a última colocação nacional nos anos finais do Ensino Fundamental (6º ao 9º ano) e registrou o pior desempenho de todo o Nordeste no Ensino Médio. A nota de aprendizado real dos estudantes baianos caiu, expondo que o avanço sutil do índice geral foi puramente empurrado pela política de aprovação em massa, e não por ganhos reais na sala de aula.

A lanterna da eficiência pública
O problema da educação nos dois estados não provém da falta de verbas, mas da absoluta incapacidade gerencial e do uso político das pastas. O recente Ranking de Eficiência dos Estados (REE-F) escancarou esse cenário. No indicador geral de conversão de receitas em serviços básicos para a população, o Rio Grande do Norte ficou na 20ª posição e a Bahia na 21ª colocação nacional.

O estudo apontou a Bahia como o pior estado do Nordeste em eficiência de gestão pública. Especialistas apontam que as secretarias estaduais de educação foram loteadas por indicações e apadrinhamentos políticos, asfixiando os critérios técnicos de gestão. O resultado é um desperdício bilionário de dinheiro que se transforma em abandono escolar crônico (6,6% na Bahia) e índices alarmantes de analfabetismo funcional. O slogan de “governo dos professores” ruiu diante da precisão matemática das urnas e das avaliações federais.

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João Batista de Moura

Com formação em Pedagogia, Teologia e Psicanálise, além de MBA em Marketing e Gestão de Pessoas, JB Moura construiu uma trajetória consistente e multidisciplinar voltada à comunicação, ao desenvolvimento humano e à liderança.

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