SANTOS, SP – Motoristas autônomos de todo o país iniciaram um movimento de paralisação nacional com foco estratégico nos principais terminais portuários do Brasil, tendo o Porto de Santos como o maior epicentro das mobilizações. Organizado por lideranças da categoria, como a Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), o protesto visa interromper o fluxo de escoamento de grandes cargas para forçar o Senado Federal a votar a Medida Provisória (MP) 1.343/2026 antes que ela perca a validade.
A queda de braço no Congresso
O principal combustível para a mobilização é a proximidade do prazo de caducidade da MP 1.343/2026. O texto prevê duas frentes de extrema importância para a categoria: o endurecimento na fiscalização contra o descumprimento do piso mínimo do frete rodoviário e a concessão de anistia para as multas aplicadas a caminhoneiros que participaram de bloqueios de rodovias no ano de 2022.
Representantes dos trabalhadores cobram publicamente o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para que a matéria seja pautada com urgência no Plenário. “A categoria não pode aceitar que uma conquista tão dura perca a validade por falta de articulação política. Parar os portos é o nosso último recurso para sermos ouvidos”, declarou uma das lideranças em redes sociais.
Impacto nos portos e adesão parcial
Diferente das greves históricas que fechavam rodovias federais de ponta a ponta, a estratégia atual foca no estrangulamento logístico dos canais de exportação. No Porto de Santos, o maior complexo portuário da América Latina, o ponto crítico de concentração ocorre na região do Viaduto da Alemoa, onde caminhoneiros autônomos cruzaram os braços e orientaram os colegas a não darem prosseguimento às viagens. Outros terminais de grande relevância nacional também registram mobilizações e monitoramento das forças de segurança.
Apesar do forte apelo logístico, o movimento ainda demonstra uma adesão dividida nas primeiras horas. Enquanto o transporte de contêineres e commodities agrícolas nos acessos portuários sofre forte desaceleração, o tráfego de frotas pertencentes a grandes transportadoras privadas e a circulação interna em rodovias distantes da costa seguem operando em regime de normalidade relativa.
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) e as guardas portuárias informaram que monitoram os acessos para garantir o direito de ir e vir e evitar o bloqueio total das pistas, mas o clima permanece tenso à medida que o prazo final do Congresso se aproxima.









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