A Polícia Federal (PF) indiciou 48 pessoas no primeiro relatório final da Operação Sem Desconto. A investigação apura um esquema bilionário de descontos associativos ilegais e não autorizados diretamente nas aposentadorias e pensões do INSS.
O grupo responde por crimes como organização criminosa, corrupção (ativa e passiva), inserção de dados falsos em sistema público e lavagem de dinheiro.
Os pontos-chave do caso:
- O principal alvo potiguar: O norte-rio-grandense Abraão Lincoln Ferreira da Cruz, presidente da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA), está entre os indiciados.
- O volume do esquema: Dados da Controladoria-Geral da União (CGU) revelam que a CBPA movimentou R$ 221,8 milhões em descontos irregulares entre fevereiro de 2023 e março de 2025. A AGU aponta que a entidade não tem estrutura compatível com o número de filiados declarados.
- Prejuízo bilionário: A PF estima que o golpe aplicado contra os segurados de todo o país pode chegar a R$ 6 bilhões.
- Outros nomes de peso: Também foram indiciados o ex-presidente do INSS, Alessandro Antônio Stefanutto; o ex-procurador-geral do órgão, Virgílio Antônio Ribeiro Filho; e Antônio Carlos Camilo Antunes (o “Careca do INSS”), apontado como articulador do esquema.
O histórico do dirigente investigado:
- Prisão recente no Congresso: Antes do indiciamento, Abraão Lincoln foi preso em flagrante por falso testemunho durante depoimento à CPMI do INSS, por ordem do senador Carlos Viana (Podemos-MG). Na ocasião, a comissão aprovou a quebra de seus sigilos bancário e fiscal.
- Operação Enredados (2015): Já havia sido preso pela PF em 2015 por fraude na concessão de licenças de pesca industrial quando presidia a CNPA. Foi solto em 2016 pelo STJ.
- Réu na Justiça Eleitoral: Tornou-se réu em abril de 2024 por suspeita de falsidade ideológica e omissão de doações na prestação de contas de sua campanha a deputado federal em 2014.








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