O Congresso ExpoEduc 2026 acabou de acontecer em Natal (entre os dias 23 e 25 de julho), no Centro de Convenções, com o tema central do evento deste ano foi “Escola pra quê? Construindo uma escola que supera os desafios da Educação 2030”, e o Rafael Batista (que é neuropsicopedagogo clínico) palestrou na Arena SEBRAE sobre o tema “Neuroanatomia da Aprendizagem: de dentro para fora”
Quem é Rafael Batista?
O entrevistamos sobre sua participação em um evento tão importante não só para a educação, mas para a transformação dos participantes e daqueles que serão indiretamente atendidos. Confira!

Rafael de Medeiros Batista
- Professor
- Palestrante
- Neuropsicopedagogo clínico e institucional
- Especialista em Autismo
- Especialista em Educação Especial
- Mestrando em Neurociência
Foto: Eduardo Silva
Rafael, a ExpoEduc em Natal acaba de se consolidar como um marco histórico para o Norte-Nordeste. Como foi para você a experiência de palestrar na Arena SEBRAE e qual o principal sentimento que você traz de volta na bagagem?
A Expoeduc é ainda maior do que imaginamos, está na 9ª edição, mas já atingiu o patamar de um dos maiores congressos em educação de todo o Brasil. A sensação que tive ao ser convidado a palestrar no evento foi de realização de um caminho trilhado com dedicação. A honra em fazer parte deste evento é enorme e na bagagem trago mais conhecimento, sensação de dever cumprido e a expectativa de alçar novos vôos.

O tema central do congresso este ano nos provoca com a pergunta: “Escola pra quê?”. Sob a ótica da psicopedagogia e da neurociência, qual é a resposta que o mercado educacional precisa dar para construir essa escola que mira as metas de 2030?
A temática Escola, pra quê? é muito pertinente e instigante ao mesmo tempo. A educação brasileira precisa compreender que deve existir um equilíbrio entre metodologias e acolhimento. Não há aprendizagem sem afetividade, e não sou eu quem afirma isso, é a neurociência. A neuropsicopedagogia nunca esteve tão em alta e é meu papel e papel de eventos como a Expoeduc difundir conhecimento científico e alinhado às novas tendências.
Nos corredores e debates do evento, falou-se muito sobre inovação, tecnologia e relações humanas. Quais foram os maiores desafios relatados pelos educadores e gestores que você conheceu nesses três dias em Natal? Ou sua visão sobre os desafios em sua experiência no dia a dia.
O maior desafio está exatamente em alinhar e equilibrar o uso das tecnologias e não deixar de lado a afetividade, a aproximação entre aluno e professor. Porém, acredito que existem ainda outros obstáculos que impedem um crescimento ainda maior nos índices da aprendizagem: o excesso. Aprendi, ao longo dos anos de carreira, que o excesso é sempre prejudicial. O excesso de estudos, sem uma rotina de lazer e sono, é prejudicial. O excesso de telas, sem rotina de estudos e tarefas, também é prejudicial. O excesso é o maior obstáculo dessa geração.
O Tema da Palestra – Na sua palestra, você abordou a “Neuroanatomia da Aprendizagem: de dentro para fora”. Para quem não pôde assistir, o que significa, na prática, entender a anatomia do cérebro no processo de ensino-aprendizagem?
A minha temática precisa ser levada em consideração por todos que fazem a educação: do porteiro ao gestor escolar. Entender o ritmo – não o tempo, mas o ritmo – do estudante é essencial. Saber suas limitações, compreender o seu processamento de informações e descobrir suas potencialidades, isso faz toda a diferença na prática. Nem sempre a dificuldade de aprender é “preguiça”, mas nem toda desatenção é um transtorno. Torno a falar, o excesso é prejudicial.
Você costuma defender que “o cérebro aprende quando encontra sentido”. De que forma o professor em sala de aula pode ativar as áreas cerebrais certas para fazer o aluno se engajar com o conteúdo, fugindo da mera decoreba?
Na minha palestra, apresentei 3 tópicos muito significativos para mim, na jornada como professor, e agora, ainda mais, como neuropsicopedagogo e mestrando em neurociências. Aprendizagem se dá com ATENÇÃO, esse é um dos primeiros passos para se reter conhecimentos. Também através de REPETIÇÃO, pois as novas informações devem ser reproduzidas, igualmente aprendemos a falar, através da repetição. No entanto, além disso, a aprendizagem se dá pela AFETIVIDADE, de nada adianta cobrar dos estudantes a “decoreba”, sem que o mesmo consiga sentir afetividade, sentimento, sentido e significado no aprender. A rotina de sala de aula nem sempre permite ao professor mostrar significado do aprender, pois os índices e metas a serem cumpridos tira um pouco da magia do aprendizado. É preciso dar sentido às coisas, inclusive ao aprendizado.
Pensando nas dificuldades de aprendizagem que as crianças enfrentam hoje, como o conhecimento neuroanatômico ajuda a diferenciar uma simples falta de atenção de um transtorno real (como o TDAH ou a dislexia)?
Hoje em dia, estamos vivendo uma onda de diagnósticos e culpas. Não se busca mais “ajudar”, a preocupação atual é “culpabilizar”. Muitos professores, pais e responsáveis estão preocupados em achar no TDAH ou outro transtorno a explicação para uma dificuldade de aprender. Nem sempre é isso, muitas das vezes é apenas falta de rotina, previsibilidade e diretrizes. A ROTINA auxiliar no processo de hábitos, inclusive rotinas de sono, alimentação sem telas, atividades físicas regulares e também o tempo de exposição às telas. A PREVISIBILIDADE ajuda no controle do tempo ocioso, embora o ócio também seja produtivo, em algumas situações. Já as DIRETRIZES devem existir para que o aluno saiba lidar com figuras de autoridade, respeitando pais e professores. O equilíbrio entre esses três pilares ajuda e muito no descarte de qualquer transtorno de aprendizagem. Nem sempre é transtorno, muitas vezes é falta de rotinas.
O que os pais podem fazer para contribuir com o ensino, visto que a realidade enfrentada por eles foi bem diferente dos filhos?
Os pais devem, não falo apenas que podem, mas devem, de obrigação, participar da vida escolar dos filhos. Não apenas pagar escola, pagar reforço escolar ou ofertar materiais de boa qualidade. Falo de estar presente, de se fazer presente. Os pais devem contribuir mostrando aos filhos a importância de uma boa educação e escolarização, criando rotinas flexíveis de estudos em casa, não apenas na escola, perguntando aos filhos como foi o dia na escola, visitando a escola para saber das dificuldades do filho, sendo presentes e participantes. Acredito fielmente que o que mais tem prejudicado o processo de aprendizagem e evolução dessa geração é o afastamento ou substituição das obrigatoriedades da família como base para uma aprendizagem significativa. Falo isso em respeito e honra aos meus pais que, desde pequeno, sempre me incentivaram a buscar, através dos estudos, a realização dos meus sonhos, em especial à figura da minha mãe que me mostrou por exemplo e rotina.
Nós do Portal JBmoura.com agradecemos ao grande profissional que se propôs a nos responder tão prontamente nossa entrevista, é de fato um tema muito pertinente e transformador.






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