A crônica policial de Currais Novos nas últimas semanas desenha um cenário que oscila entre o orgulho pelo trabalho das nossas forças de segurança e a profunda frustração com as brechas do sistema penal brasileiro. A prisão em flagrante de suspeitos de arrombamentos de veículos na madrugada desta terça-feira (25) traz à tona um debate urgente sobre a reincidência criminal e a sensação de impunidade que teima em rondar o interior do Rio Grande do Norte.
A cronologia dos fatos expõe o modus operandi e a audácia dos indivíduos. No domingo, dia 9, um empresário foi alvo de um roubo na tradicional Praça Cristo Rei, de onde levaram R$ 600,00 de dentro de seu automóvel. Não satisfeitos, e demonstrando total desrespeito pelas leis, os mesmos suspeitos voltaram a agir na madrugada de hoje (25). Primeiro, tentaram arrombar um veículo modelo Chevrolet Montana; sem sucesso, persistiram na conduta criminosa, violaram uma Nissan Frontier e subtraíram pertences da vítima.
Foi aí que a excelência do trabalho integrado das polícias Civil e Militar de Currais Novos fez a diferença. Com patrulhamento estratégico, agilidade na resposta e faro investigativo, as equipes fecharam o cerco e prenderam os elementos em flagrante, recuperando os objetos e dando uma resposta imediata à sociedade. O empenho dos nossos policiais é inquestionável: arriscam a vida diariamente, passam noites em claro e limpam as ruas com os poucos recursos de que dispõem.
Contudo, o desfecho dessa operação levanta um questionamento inevitável que ecoa na boca do cidadão de bem e dos próprios trabalhadores da segurança: até quando eles ficarão presos? É de conhecimento público o fenômeno da “porta giratória” das audiências de custódia, onde o esforço hercúleo das polícias muitas vezes é anulado por entendimentos jurídicos brandos que devolvem criminosos reincidentes às ruas em questão de horas sob o pretexto de responderem em liberdade.
O trabalho de excelência da polícia já foi feito e merece todos os aplausos. Agora, a bola está com o Poder Judiciário e o Ministério Público. A sociedade currais-novense exige e espera que a Justiça faça a sua parte com o mesmo rigor, garantindo que quem escolheu viver à margem da lei permaneça atrás das grades, preservando o patrimônio e a paz social do nosso Seridó.







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