
Uma campanha liderada pelo Lions Clube de Currais Novos Sheelita acendeu um debate urgente sobre a saúde pública na região do Seridó: a necessidade imediata de descentralização e disponibilização do soro antiofídico no Hospital Regional Dr. Mariano Coelho (HRMC). Atualmente, a falta do imunobiológico na unidade obriga vítimas de picadas de cobras, escorpiões e aranhas a se deslocarem por quase 90 quilômetros até Caicó ou Natal para receberem o antídoto, uma corrida contra o tempo que pode custar vidas.
A importância do atendimento rápido em acidentes com animais peçonhentos é um consenso médico absoluto. Quanto mais tardio o início da soroterapia, maior é a expansão do veneno no organismo, o que potencializa o risco de necrose tecidual, insuficiência renal, amputações e óbito. Trazer o soro para Currais Novos significa garantir um socorro imediato, reduzir drasticamente as sequelas e dar suporte emergencial robusto para mais de 138 mil habitantes que residem no município e nas cidades vizinhas.
Os números do perigo no RN
A urgência da campanha é respaldada por dados epidemiológicos alarmantes divulgados pela Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap/RN). Somente ao longo do último ano epidemiológico fechado, o Rio Grande do Norte registrou impressionantes 9.916 acidentes envolvendo animais peçonhentos. Desse total, os escorpiões lideram de forma isolada, sendo responsáveis por 5.790 notificações (cerca de 58% dos casos), seguidos por acidentes com abelhas (2.002 registros) e serpentes (836 ocorrências). No Seridó, a predominância de atividades agrícolas faz com que os incidentes com cobras (como a jararaca e a cascavel) sejam uma ameaça constante na zona rural.
O principal entrave apontado pela gestão estadual para a retenção do soro em bases centralizadas tem sido a limitação na produção nacional dos imunobiológicos, concentrada em institutos como o Butantan. No entanto, lideranças e entidades locais defendem que a posição geográfica estratégica de Currais Novos justifica o estoque preventivo na cidade. O fortalecimento da saúde regional não é apenas uma demanda burocrática, mas uma medida humanitária para que o socorro chegue a tempo de salvar vidas.








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