A segurança hídrica de Currais Novos voltou a acender o sinal vermelho. Sem recargas expressivas e diante da estiagem do segundo semestre no semiárido potiguar, o Açude Dourado — um dos principais mananciais do município — atingiu seu nível crítico, operando com menos de 4% de sua capacidade total. Como consequência imediata, a Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern) confirmou que a cidade entrará oficialmente em regime de rodízio no abastecimento a partir de setembro.
O cenário expõe uma ferida antiga na região do Seridó: a dependência de ciclos de chuva incertos e a histórica lentidão na conclusão de obras estruturantes, como a adutora definitiva, que resolveria o problema do município.
O colapso do Dourado e o fantasma do rodízio
Atualmente, o Açude Dourado responde por 30% do abastecimento de Currais Novos, enquanto os outros 70% são supridos pelo Açude Gargalheiras, localizado em Acari. Com o esvaziamento drástico do Dourado, a captação por gravidade tornou-se inviável, exigindo manobras técnicas da Caern, como a instalação de bombas e balsas flutuantes para retirar a água restante.
A decisão de adotar o rodízio a partir de setembro visa prolongar a vida útil do reservatório e evitar o colapso total antes do próximo período chuvoso. A medida afeta diretamente a rotina das famílias, que precisarão readaptar o consumo diário e estocar água de forma segura.
O impacto econômico: o custo da falta de água
A escassez hídrica e o rodízio não trazem apenas desconforto doméstico; eles geram um forte impacto financeiro na economia local.
- Comércio e Serviços: Bares, restaurantes, hotéis e lavanderias enfrentam um aumento nos custos operacionais para garantir o funcionamento, muitas vezes recorrendo à compra de carros-pipa.
- Indústria local: Pequenas indústrias e o setor de laticínios da região do Seridó sofrem com a instabilidade no fornecimento, o que pode reduzir a produtividade e encarecer o produto final.
- Orçamento familiar: O cidadão comum também sente o peso no bolso. Além de gastar mais com reservatórios e caixas d’água, há o risco inflacionário em serviços e produtos locais devido ao custo da água.
A eterna promessa da Adutora Definitiva
Se por um lado o clima pune a região, por outro, a burocracia e a demora na infraestrutura agravam a crise. A execução da adutora definitiva é vista pela população e por lideranças locais como a única saída real para livrar Currais Novos do ciclo eterno de ameaça de colapso.
A lentidão na entrega dessa obra faz com que soluções paliativas e emergenciais continuem sendo o padrão ano após ano. Sem uma data firme e o pleno funcionamento do sistema adutor, a população currais-novense permanece refém do volume morto dos seus mananciais e da torcida por um inverno rigoroso no próximo ano.
O início do rodízio em setembro é um alerta severo. Mais do que economizar água em casa, o momento exige cobrança por respostas rápidas e transparência das autoridades sobre o andamento das obras hídricas que a nossa região tanto necessita.







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