O natalense já está acostumado com obras que demoram para começar, mas o Governo do Rio Grande do Norte elevou o conceito de gestão pública a um novo patamar quântico. Em menos de 48 horas, os moradores do bairro Potengi, na Zona Norte de Natal, ganharam um presídio, perderam o presídio e, agora, por ordem da Justiça, foram informados de que o presídio “está mantido, queiram eles ou não”. 

Entenda a cronologia da obra mais veloz (e confusa) da história recente do estado. 

Terça-feira: “Parabéns, Zona Norte, você ganhou uma cadeia!”

Tudo começou quando o Diário Oficial e as redes governamentais anunciaram, cheios de orgulho, a homologação da licitação de R$ 7,1 milhões para erguer uma moderna Cadeia Pública com 189 vagas na Travessa Macaé. O tom era festivo. Afinal, quem não gostaria de acordar com o barulho de bate-estacas anunciando que o antigo e problemático Centro de Detenção Provisória (CDP) seria repaginado? Os moradores, que guardam doces lembranças de fugas e tiroteios na época do antigo CDP, imediatamente foram para a internet comemorar… protestando desesperadamente. 

Quarta-feira: O recuo mais rápido do oeste (ou do norte)

Diante da avalanche de curtidas negativas, comentários enfurecidos e uma rejeição digital maior do que a inflação, a governadora Fátima Bezerra usou o seu perfil oficial para aplicar a clássica manobra do “foi mal, tava doido”. Em uma postagem emocionante, a chefe do Executivo evocou a memória sensível da população em relação à antiga e temida Penitenciária João Chaves — o famoso “Caldeirão do Diabo” — e decretou a revogação imediata da licitação. “Vamos rediscutir com a sociedade”, prometeu. Os moradores respiraram aliviados. Durou pouco. 

Quinta-feira: O Ministério Público entra no chat

Quando a comunidade achava que ia herdar uma praça ou um posto de saúde no terreno abandonado, o Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) resolveu estragar a festa do cancelamento. O órgão bateu na porta da Justiça Federal com um argumento demolidor: o dinheiro da obra (mais de R$ 8 milhões somando os aditivos) veio carimbado de Brasília lá em 2016. 

Se o Estado cancelar a obra agora porque o povo do bairro fez cara feia no Instagram, o RN terá que devolver os milhões para a União com juros e correção. E como os cofres estaduais estão mais vazios que praia em dia de chuva, o MP pediu uma liminar mandando prender… os tijolos! A promotoria quer obrigar o governo a construir a cadeia na marra, sob pena de multa pessoal aos gestores. 

Conclusão: A física explica

Até o fechamento desta matéria, o status do presídio do Potengi segue as leis de Schrödinger: ele está simultaneamente cancelado pelo post da governadora e ativo pela canetada do Ministério Público. Resta saber se os futuros detentos serão transferidos para as celas reais ou se cumprirão pena de forma virtual nos comentários do Instagram do Governo do Estado. 

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João Batista de Moura

Com formação em Pedagogia, Teologia e Psicanálise, além de MBA em Marketing e Gestão de Pessoas, JB Moura construiu uma trajetória consistente e multidisciplinar voltada à comunicação, ao desenvolvimento humano e à liderança.

São mais de 20 anos dedicados à comunicação no Seridó e no Rio Grande do Norte, com atuação consolidada no jornalismo e no rádio, sempre marcada pela credibilidade, clareza e compromisso com a informação de interesse público. Sua comunicação se destaca pela responsabilidade editorial e pela capacidade de traduzir temas relevantes de forma acessível e impactante.

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