Uma catástrofe de proporções históricas devastou a região montanhosa na fronteira entre o norte do Nepal e a região autônoma do Tibete, na China. Um colapso glacial massivo gerou uma enxurrada violenta de lama, pedras e água, varrendo vilarejos inteiros, destruindo infraestruturas vitais e deixando um rastro de destruição. O desastre já é considerado o mais letal na região desde o terremoto que abalou o país em 2015.
Até o momento, as autoridades locais confirmaram mais de 350 mortes e estimam que cerca de 1.500 pessoas continuam desaparecidas sob os escombros e a lama. O impacto atinge não apenas moradores locais, mas também centenas de turistas estrangeiros e peregrinos que visitavam os circuitos de montanhismo e templos da região.
O que causou o desastre? Cientistas explicam o colapso glacial
Inicialmente, sensores registraram tremores que levaram as autoridades a suspeitar de um terremoto como gatilho para o desastre. No entanto, análises posteriores de órgãos como o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) e especialistas locais revelaram que os tremores foram, na verdade, causados pelo impacto de um “colapso glacial”.
Esse fenômeno ocorre quando uma seção gigantesca de gelo e rocha se desprende de uma geleira no alto das montanhas e despenca encosta abaixo. O bloco maciço caiu diretamente sobre o leito do rio Linda Cola, gerando uma parede instantânea de detritos acumulados. A onda de choque e o volume de material provocaram um aumento repentino de cerca de 20 milhões de metros cúbicos de água na bacia hidrográfica regional, enviando uma torrente avassaladora rio abaixo.
Rastro de destruição e áreas afetadas
A inundação repentina desceu em alta velocidade pelo sistema dos rios Bhote Koshi e Trishuli, percorrendo mais de 160 quilômetros. No caminho, a força da água e da lama derrubou pelo menos 70 pontes, danificou dezenas de quilômetros de estradas e engoliu postos de controle de fronteira, como a movimentada passagem terrestre de Rasuwagadhi.
O vilarejo nepalês de Timure foi um dos mais castigados, com relatos de que bairros e comércios inteiros sumiram do mapa em questão de segundos. No lado tibetano, o porto de Gyirong — uma rota crucial para viajantes — foi severamente atingido por deslizamentos de terra, interrompendo as redes de energia e comunicação.
Operação de resgate e o risco de novas “ondas” de inundação
O exército do Nepal e equipes de resgate da China trabalham ininterruptamente na busca por sobreviventes, enfrentando condições extremas. A falta de conectividade, a destruição das estradas e o terreno coberto por camadas espessas de lama impedem a chegada de maquinário pesado, forçando os socorristas a cavar manualmente em locais isolados.
A preocupação das autoridades agora se volta para um perigo secundário imediato. O acúmulo de entulho e terra acabou bloqueando trechos estreitos dos rios, criando “represas instáveis” e lagos artificiais que estão subindo de nível rapidamente. O Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado das Montanhas (ICIMOD) emitiu alertas urgentes para que a população se afaste das margens, devido ao risco iminente de novos rompimentos e enchentes secundárias nas próximas horas.






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