
Ministro Dias Toffoli aponta “omissão estratégica” em 18 perfis de redes sociais; candidato do partido Missão chama decisão de “patética” e fala em censura.
A corrida presidencial para as eleições de 2026 sofreu uma forte reviravolta jurídica nesta segunda-feira (31 de agosto de 2026). O ministro Dias Toffoli, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou a suspensão imediata da campanha digital, o bloqueio de repasses do Fundo Eleitoral e barrou a participação em debates na mídia do candidato Renan Santos, representante do partido Missão.
A decisão liminar ocorre após o ministro apontar indícios de irregularidades no registro de candidatura do empresário de 42 anos, que cofundou o Movimento Brasil Livre (MBL) e disputa sua primeira eleição majoritária.
O motivo do bloqueio: Contas ocultas nas redes
De acordo com o despacho do ministro Toffoli, a chapa de Renan Santos e de seu vice, Aroldo Medina, teria incorrido em uma “omissão estratégica” ao enviar as informações digitais à Justiça Eleitoral. A legislação vigente determina que os partidos declarem, logo no ato do registro da candidatura, todas as páginas na internet e perfis de redes sociais que serão utilizados para propaganda eleitoral, visando coibir a atuação de estruturas automatizadas e disparos artificiais de robôs.
O Missão apresentou o registro principal no dia 7 de agosto, mas só incluiu uma lista complementar contendo 18 contas de redes sociais 12 dias depois, por meio de uma petição avulsa. Para o relator, a chapa agiu com desvio de finalidade, operando perfis sem a devida fiscalização prévia do tribunal.
Com a punição estabelecida, ficam suspensos:
- A propaganda eleitoral nos perfis digitais que foram omitidos ou declarados fora do prazo;
- Novos repasses do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (a chapa já havia recebido R$ 3,3 milhões);
- A participação dos candidatos em sabatinas, podcasts ou debates em canais de rádio e televisão.
“Patético”: Renan Santos reage e alega censura
O candidato do Missão reagiu de forma dura nas redes sociais e classificou a decisão liminar do ministro Toffoli como “absurda” e “patética”. Renan Santos alterou a foto de seus perfis oficiais incluindo uma tarja com a palavra “censurado” e convocou uma entrevista coletiva de urgência em São Paulo.
Sua defesa argumenta que a comunicação complementar foi feita dentro dos prazos de correção previstos e que o candidato não obteve “vantagem nenhuma” em relação aos adversários. Os advogados do partido confirmaram que estão ingressando com um mandado de segurança para tentar derrubar a liminar. O TSE abriu um prazo regulamentar de 24 horas para que a sigla preste esclarecimentos detalhados sobre as datas de criação e uso de cada conta apontada.






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