O avanço da ciência nacional traz uma nova esperança para o combate ao tabagismo. O laboratório 100% brasileiro Cristália apresentou os resultados da fase inicial de desenvolvimento (Early Discovery) de uma vacina terapêutica focada em interromper o ciclo de vício da nicotina. Diferente dos chicletes e adesivos atuais, que apenas repõem a substância para aliviar a abstinência, o imunizante adota uma estratégia biológica totalmente inovadora.
O truque científico: Como a vacina funciona?
A nicotina é uma molécula muito pequena. Quando alguém fuma, ela corre pelo sangue e passa direto pelo sistema imunológico sem ser notada, chegando ao cérebro em poucos segundos. Lá, ela ativa o sistema de recompensa e libera dopamina, gerando a sensação de prazer.
Para quebrar esse mecanismo, cientistas acoplaram fragmentos de nicotina a um vetor sintético muito maior. Ao receber a vacina, o corpo humano passa a “enxergar” a ameaça e produz anticorpos específicos contra a nicotina.
Dessa forma, caso o paciente vacinado tente fumar:
- Os anticorpos grudam na nicotina ainda na corrente sanguínea.
- A molécula torna-se grande demais para ultrapassar a barreira que protege o cérebro.
- Sem chegar ao cérebro, o cigarro simplesmente perde o efeito e deixa de dar prazer.
Foco principal: Evitar recaídas
Segundo o idealizador do projeto, o médico Ogari Pacheco, a vacina não foi pensada para tratar a crise aguda de abstinência, mas sim para funcionar como um escudo contra recaídas. Estatísticas mostram que cerca de 85% das pessoas que tentam parar de fumar sofrem recaídas no primeiro ano. Se o paciente tiver um deslize e acender um cigarro, os anticorpos entram em ação para impedir que o cérebro sinta o “pico” de satisfação novamente, quebrando o ciclo do vício antes que ele recomece.
Quando chega ao mercado?
Apesar do entusiasmo e do orgulho da ciência nacional, o projeto ainda está em fase pré-clínica. Os testes em roedores comprovaram que 100% dos animais imunizados desenvolveram os anticorpos e cortaram o comportamento aditivo. Contudo, o laboratório estima que ainda levará cerca de dois anos para iniciar os testes clínicos em humanos e coletar os dados necessários para o registro na Anvisa.








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