Decisão impacta mais de 8 mil funcionários e grandes órgãos no RN

O mercado de prestação de serviços e terceirização de mão de obra no Rio Grande do Norte sofreu seu maior abalo estrutural na última década. A JMT Service, uma das maiores e mais tradicionais companhias do setor em solo potiguar, teve o seu pedido de recuperação judicial formalmente deferido pela 21ª Vara Cível da Comarca de Natal. O processo (nº 0882266-06.2026.8.20.5001), que teve o pedido protocolado originalmente em 18 de agosto de 2026, acendeu o sinal de alerta máximo para o funcionamento de estruturas essenciais e para a segurança financeira de milhares de trabalhadores.

Com uma trajetória sólida de 21 anos de mercado, a JMT Service consolidou-se como uma verdadeira gigante, sendo responsável pela gestão e pagamento de mais de 8 mil funcionários ativos espalhados por todo o estado. O rastro de sua atuação operacional cobre os pilares mais sensíveis do serviço público norte-rio-grandense, fornecendo mão de obra terceirizada para limpeza, portaria, maqueiros, recepção e vigilância nos principais hospitais da rede estadual de saúde e em prefeituras de polos estratégicos como Natal, Parnamirim e Mossoró

O Prazo de Blindagem e o Destino das Rescisões

O deferimento assinado pelo Poder Judiciário garante à JMT um fôlego técnico de 180 dias. Durante esse período de blindagem, todas as execuções fiscais, cobranças de dívidas passadas e bloqueios judiciais de contas bancárias da empresa ficam temporariamente suspensos. A medida visa dar estabilidade para que a diretoria elabore um plano de reestruturação financeira para apresentar à assembleia de credores.

Apesar de a diretoria assegurar em comunicado interno que as atividades operacionais continuam funcionando e que busca transmitir tranquilidade aos atuais colaboradores, o clima nas bases é de extrema incerteza. Para quem foi demitido ou se desligou da JMT Service antes do dia 18 de agosto de 2026 e possui valores de verbas rescisórias, multas de FGTS ou salários atrasados a receber, a orientação jurídica do setor de Recursos Humanos é clara: esses débitos foram congelados e incluídos na lista geral de credores do processo. Os ex-funcionários devem acompanhar o andamento processual para verificar e habilitar seus respectivos nomes na fila de pagamentos futuros.

🧠 O ralo das terceirizações e a responsabilidade do Estado

O colapso financeiro de uma estrutura que emprega 8 mil potiguares expõe as vísceras de um modelo de contratação pública que dá claros sinais de esgotamento. As grandes empresas de terceirização do RN operam sob um regime de fluxo de caixa perigoso: dependem do repasse rigoroso e pontual das faturas por parte do governo estadual e das prefeituras para honrar as folhas de pagamento mensais e os encargos trabalhistas básicos. Quando o poder público atrasa esses repasses para tampar seus próprios rombos fiscais, as empresas sofrem um estrangulamento financeiro inevitável.

No final das contas, o elo mais fraco da corda é o trabalhador que ganha um salário mínimo para limpar enfermarias de hospitais superlotados ou vigiar escolas no interior. Recorrer à recuperação judicial é um direito legal da JMT para tentar salvar o negócio, mas a Justiça e o Ministério Público do Trabalho (MPT) precisam agir com rigor máximo de fiscalização. Salário e verbas rescisórias possuem caráter alimentar e sagrado. O Estado não pode usar o processo judicial da contratada como desculpa para lavar as mãos diante da iminência de um calote social na periferia potiguar.

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João Batista de Moura

Com formação em Pedagogia, Teologia e Psicanálise, além de MBA em Marketing e Gestão de Pessoas, JB Moura construiu uma trajetória consistente e multidisciplinar voltada à comunicação, ao desenvolvimento humano e à liderança.

São mais de 20 anos dedicados à comunicação no Seridó e no Rio Grande do Norte, com atuação consolidada no jornalismo e no rádio, sempre marcada pela credibilidade, clareza e compromisso com a informação de interesse público. Sua comunicação se destaca pela responsabilidade editorial e pela capacidade de traduzir temas relevantes de forma acessível e impactante.

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