A segurança do maior complexo penitenciário do Rio Grande do Norte voltou ao centro dos debates após o vazamento do “Relatório Situacional Alcaçuz – Agosto 2026”. O documento oficial, assinado pela direção da Penitenciária Estadual de Alcaçuz, aponta um cenário alarmante: devido ao severo déficit de policiais penais, detentos classificados como “presos pagadores” (que prestam serviços na unidade) estão recebendo chaves para trancar e abrir as celas de outros internos.

O relatório descreve a prática como frequente e assume o alto risco da medida, que transfere uma função estritamente policial para os apenados. A vulnerabilidade na segurança interna coincide com um dado preocupante: desde maio deste ano, 17 presos fugiram do complexo penal de Alcaçuz.

O raio-x do déficit em números
As estatísticas internas contidas no relatório revelam a dimensão do desfalque na vigilância:

  • Proporção extrema: Em um dos setores monitorados da unidade, a escala registrou apenas 1 policial penal para supervisionar 315 detentos.
  • Guaritas desativadas: Postos de vigilância elevada nas muralhas foram desativados e houve redução drástica nas rondas de perímetro por falta de pessoal.
  • Risco de motim: O relatório associa o baixo efetivo a incidentes recentes de indisciplina, incluindo a apreensão de cordas artesanais e a recusa de um detento em entregar uma lâmina de barbeador, tentando incitar os demais contra a guarda.

O outro lado
Em nota oficial, a Secretaria de Estado da Administração Penitenciária (Seap) declarou que a Polícia Penal não comenta dados estratégicos de segurança das unidades. Contudo, a pasta garantiu que Alcaçuz “se mantém sob controle, com segurança e disciplina”. A Seap também destacou que a unidade passou recentemente por uma varredura estrutural na Operação MUTE, coordenada pelo Governo Federal, e nenhum aparelho celular foi encontrado nas celas.

A direção do presídio cobrou formalmente a recomposição imediata do quadro de servidores para que o poder de polícia retorne à exclusividade dos agentes estatais.

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João Batista de Moura

Com formação em Pedagogia, Teologia e Psicanálise, além de MBA em Marketing e Gestão de Pessoas, JB Moura construiu uma trajetória consistente e multidisciplinar voltada à comunicação, ao desenvolvimento humano e à liderança.

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