Urnas desmontam o cenário apontado na reta final da campanha, Cadu dispara, Álvaro fica fora e mais de meio milhão de votos passam a ocupar o centro da disputa pelo Governo do Rio Grande do Norte.
O Rio Grande do Norte acordou nesta segunda-feira diante de uma eleição completamente redesenhada pelas urnas. Allyson Bezerra (União Brasil) terminou o primeiro turno na frente, mas por uma margem mínima sobre Cadu de Lula (PT). Com 100% das urnas totalizadas, Allyson recebeu 733.809 votos, 36,94%, contra 718.300 votos, 36,16% de Cadu. A diferença foi de apenas 15.509 votos — 0,78 ponto percentual. Os dois voltarão às urnas em 25 de outubro.
A grande surpresa veio de Cadu
A fotografia das urnas ficou muito distante de parte das pesquisas divulgadas às vésperas da eleição. Levantamento Exatus publicado dois dias antes do primeiro turno mostrava Allyson com 43%, Cadu com 24% e Álvaro Dias com 22%. No resultado efetivo, Cadu saltou para 36,16%, chegando praticamente empatado com Allyson.
Esse movimento produziu a principal mudança política da noite: Álvaro Dias (PL), que disputava diretamente uma vaga no segundo turno, terminou fora da disputa. Ele recebeu 530.580 votos, equivalentes a 26,71% dos votos válidos. UOL Notícias
O número que agora vale ouro: 530.580
É aqui que começa uma eleição completamente nova.
Os mais de 530 mil eleitores que votaram em Álvaro Dias representam um contingente muito maior do que os 15,5 mil votos que separaram Allyson de Cadu. Isso não significa transferência automática de votos — eleitor não pertence a candidato ou partido —, mas torna esse eleitorado um dos componentes numericamente mais relevantes para compreender o segundo turno.
Somados, Allyson e Cadu conquistaram 73,10% dos votos válidos. Álvaro concentrou sozinho outros 26,71%. Assim, praticamente todo o eleitorado que votou validamente para governador ficou concentrado nesses três nomes.
Allyson chega primeiro, mas Cadu chega colado
Allyson entra oficialmente no segundo turno como o candidato mais votado, com 733.809 votos. Cadu chega apenas 15.509 votos atrás. Em uma eleição estadual com quase 2 milhões de votos válidos, a distância entre os dois corresponde a menos de um ponto percentual. Tribunal Superior Eleitoral
Cadu, por sua vez, chega ao segundo turno depois de uma recuperação expressiva na reta final. O ex-secretário estadual da Fazenda disputa seu primeiro cargo eletivo e conta com o apoio do presidente Lula e da estrutura política ligada ao atual governo estadual. Allyson, ex-prefeito de Mossoró, construiu sua trajetória política a partir do Oeste potiguar e liderou grande parte das pesquisas durante a campanha.
PLACAR DO PRIMEIRO TURNO
- Allyson Bezerra (União) — 733.809 votos — 36,94%
- Cadu de Lula (PT) — 718.300 votos — 36,16%
- Álvaro Dias (PL) — 530.580 votos — 26,71%
- Arinalda do MLB (UP) — 1.466 votos — 0,07%
- Dário Barbosa (PSTU) — 1.388 votos — 0,07%
- Godeiro Linharess (DC) — 464 votos — 0,02%
- Rodrigo de Bolsonaro (Agir) — 434 votos — 0,02%
- Henrique Lyra (PCO) — 227 votos — 0,01%
Agora é outra eleição
O primeiro turno terminou sem um vencedor, mas deixou uma mensagem matemática incontornável: Allyson e Cadu começam a segunda etapa separados por apenas 15.509 votos.
No dia 25 de outubro, serão apenas dois nomes na urna. Entre agora e lá, alianças, apoios, rejeições, comparecimento e, principalmente, a decisão dos mais de meio milhão de eleitores que escolheram Álvaro Dias estarão no centro do debate político potiguar.
O RN não apenas terá segundo turno. Terá um segundo turno que começa com os dois primeiros colocados separados por menos de 1 ponto percentual.








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