O fechamento das urnas no primeiro turno de 2026 provocou tremores que foram sentidos muito além do Palácio do Planalto. Na Praça dos Três Poderes, o edifício do Supremo Tribunal Federal (STF) vive dias de intensa preocupação e reposicionamento estratégico. O motivo do sobressalto dos ministros não é apenas a liderança de Flávio Bolsonaro (PL) na corrida presidencial, mas sim o verdadeiro “terremoto” que redesenhou o Senado Federal a partir de 2027.

Durante os últimos anos, o STF atuou com forte protagonismo político, respaldado por uma maioria governista e de centro que barrava qualquer tentativa de retaliação legislativa. Esse cenário ruiu. O PL conquistou uma bancada recorde de 19 senadores neste pleito, alcançando um total de 28 parlamentares. Juntando as siglas aliadas e parlamentares de centro-direita que surfaram na onda conservadora, o bloco de oposição ao tribunal já contabiliza ao menos 49 congressistas.

Esse número é emblemático. Para se abrir um processo de impeachment contra um ministro do Supremo, ou para cassar uma decisão da Corte, são necessários 54 votos (dois terços do Senado). A oposição nunca esteve tão perto dessa marca, restando apenas cinco votos para atingir o limite histórico. Nomes fortes da oposição, como o senador Rogério Marinho (PL-RN), já despontam como favoritos para ditar o ritmo da Casa Legislativa e pautar projetos que limitam os poderes dos magistrados.

Além do fantasma do impeachment, o STF agora enfrenta a viabilidade real de aprovação de pautas que mudam a estrutura do próprio tribunal. Estão na mesa a fixação de mandatos para os ministros (acabando com a vitaliciedade até os 75 anos), a proibição de decisões monocráticas (individuais) que suspendam leis votadas pelo Congresso e a alteração nas regras de indicação de novos membros.

Nos bastidores da Corte, o clima é de recuo. Ministros que antes adotavam posturas duras publicamente já sinalizam a interlocutores a necessidade de uma “agenda de pacificação”. O STF entendeu o recado das urnas: o eleitorado deu maioria à direita no Senado para frear os excessos do Judiciário. A partir de fevereiro de 2027, o tribunal não jogará mais no ataque, mas sim na defensiva, tentando proteger suas próprias prerrogativas contra um Congresso empoderado e hostil.

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João Batista de Moura

Com formação em Pedagogia, Teologia e Psicanálise, além de MBA em Marketing e Gestão de Pessoas, JB Moura construiu uma trajetória consistente e multidisciplinar voltada à comunicação, ao desenvolvimento humano e à liderança.

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