Editorial
JB Moura

Às vésperas das eleições, o debate presidencial expôs um fenômeno cada vez mais presente na política brasileira: candidatos falando para convencer e eleitores assistindo para confirmar aquilo em que já acreditam.

O debate de ontem deixou uma questão no ar: quanto de tudo aquilo realmente ajudou o cidadão a decidir seu voto?

Entre acusações, provocações e tentativas de constranger o adversário, as propostas acabaram perdendo espaço. Muita fumaça, pouco fogo. Levantaram-se suspeitas, produziram-se manchetes, mas nem sempre houve o mesmo empenho em apresentar provas, explicar soluções ou discutir os problemas concretos do país.

Do outro lado da tela, um eleitorado profundamente dividido. Para muitos, a política assumiu a lógica das torcidas de futebol: o que vem do seu candidato merece aplausos; o que parte do adversário provoca rejeição. Pouco importa, às vezes, o conteúdo. Importa quem falou.

E assim, o debate corre o risco de se transformar num espetáculo de pouca utilidade para a formação de uma opinião independente.

É verdade que, tão perto das urnas, muitos eleitores já chegam com suas convicções consolidadas. Mas isso não significa que o debate seja inútil. A democracia ganha quando os candidatos precisam se expor, responder perguntas e revelar, ainda que parcialmente, suas ideias, atitudes e prioridades.

O problema é que, há algum tempo, esses encontros parecem disputar mais a repercussão do dia seguinte do que a compreensão do cidadão.

No fim, permanece uma inquietação: estamos assistindo aos debates para conhecer melhor os candidatos ou apenas para encontrar novas razões para continuar pensando exatamente como antes?

Talvez essa seja a maior mudança na política contemporânea. O debate continua existindo, mas sua capacidade de produzir reflexão disputa espaço com a força das convicções previamente estabelecidas.

A democracia precisa de debates. O eleitor precisa de respostas. E o Brasil precisa de muito mais do que um espetáculo de acusações.

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João Batista de Moura

Com formação em Pedagogia, Teologia e Psicanálise, além de MBA em Marketing e Gestão de Pessoas, JB Moura construiu uma trajetória consistente e multidisciplinar voltada à comunicação, ao desenvolvimento humano e à liderança.

São mais de 20 anos dedicados à comunicação no Seridó e no Rio Grande do Norte, com atuação consolidada no jornalismo e no rádio, sempre marcada pela credibilidade, clareza e compromisso com a informação de interesse público. Sua comunicação se destaca pela responsabilidade editorial e pela capacidade de traduzir temas relevantes de forma acessível e impactante.

Mais do que informar, JB Moura comunica propósito. Em suas palestras e no Minuto Esperança, une conhecimento, fé e experiência para transmitir mensagens que despertam consciência, fortalecem valores e oferecem direção, impactando vidas com profundidade e esperança.

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