Quando um “Não” vira sentença de morte?

Imagine você ou uma filha sua com 17 anos, ela sai e no meio do caminho, uma pessoa quer se relacionar com ela, a resposta deveria ser compreendida, afinal ela não o conhece, muito jovem e o candidato tem mais que o dobro da idade dela, e só por ela não ser “Obrigada” o Não deveria ser aceito, mas eis que o senhor insiste, recebe outros Nãos e como ele não aceita, ele mata a jovem, com vários tiros.

Mesmo parecendo absurdo, foi exatamente isso o que aconteceu com a jovem Ana Kévile Nogueira, no último sábado, dia 25/04, ao se deparar com um cidadão que mesmo a jovem estando acompanhada por um familiar, chegou a lhe oferecer dinheiro para que a mesma tivesse relações com ele.

A jovem foi sepultada sob forte comoção na cidade de Deputado Irapuan Pinheiro, no sertão do Ceará, bastante atuante em grupos sociais, em igreja local, a jovem havia participado de concurso de miss da cidade, era tida como esforçada e muito conhecida, a cidade parou para protestar com pedidos por justiça e para homenageá-la nesta segunda dia 27/04.

A pergunta que paira no ar diante de casos como esse, é o que está acontecendo, com nossa sociedade? A vontade do outro está acima da nossa? A vida perdeu o valor? Uma mãe enterra uma menina com o futuro todo pela frente, pois no meio do caminho tinha uma pedra que resolveu esmagá-la porque não sucumbiu à sua vontade? Até quando isso vai acontecer? Pior que leis existem, então o que falta?

Na humilde opinião desta redatora, falta o sentido de punição, não só isso, talvez falta nas pessoas empatia, respeito, ética, caráter. Todos os dias eu saio de casa pedindo a Deus que não cometa injustiça, que não faça com o outro o que não gostaria que fizessem comigo, “o sair de casa” é o simples acordar, falar com outrens. É necessário alguma “vacina” para acabar com esta epidemia e pessoas que não capazes de tudo por não aceitarem nãos. Falo em termo genérico mesmo, pois outro dia li, sobre um rapaz que ao ser perseguido por uma mulher, foi acusado de crime no meio da rua e foi espancado até a morte por justiceiros. Depois ao ser presa, ela justificou o que fez, com a celebre frase: Se não ia ser meu, não vai ser de mais ninguém! E desde quando somos de alguém especificamente? Ou já não nascemos, filhos de 2 pessoas, neto de outras 4, sobrinho, primo… Somos meus e seus de muita gente, não?

Só para você leitor analisar o que está acontecendo:

Com base nos dados disponíveis até abril de 2026, o cenário de feminicídio no Brasil continua crítico, com tendência de aumento em relação aos anos anteriores. 

Dados de Feminicídio em 2026 (Dados Parciais):

  • Primeiros Dois Meses (Jan-Fev/2026): Foram registradas 258 vítimas de feminicídio no Brasil.
  • Média Diária: Cerca de 4 mulheres são assassinadas por questões de gênero todos os dias no país.
  • Comparativo 2025-2026: No mesmo período de 2025, foram registrados 254 casos, o que indica uma alta contínua.
  • Casos em SP: Em São Paulo, foram registrados 55 casos de feminicídio nos dois primeiros meses de 2026, indicando aumento comparado a 2025.
  • Tendência: Especialistas alertam que, se o ritmo atual for mantido, 2026 poderá superar 2025, que foi o ano mais letal desde a tipificação do crime. 

Dados Consolidados de 2025 (Referência):

Contexto da Violência (2026):

  • O início de 2026 também registrou um alto número de tentativas de feminicídio (671 casos apenas em janeiro e fevereiro).
  • A maioria dos casos continua sendo de “feminicídio íntimo”, cometidos por companheiros ou ex-companheiros.
  • Especialistas consideram a situação uma “tragédia evitável” e criticam a omissão do Estado, exigindo políticas públicas mais eficazes de proteção. 

Nota: Os dados de 2026 são preliminares e atualizados à medida que as delegacias notificam os casos.

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Pr. João Batista de Moura

Com formação em Pedagogia, Teologia e Psicanálise, além de MBA em Marketing e Gestão de Pessoas, JB Moura construiu uma trajetória consistente e multidisciplinar voltada à comunicação, ao desenvolvimento humano e à liderança.

São mais de 20 anos dedicados à comunicação no Seridó e no Rio Grande do Norte, com atuação consolidada no jornalismo e no rádio, sempre marcada pela credibilidade, clareza e compromisso com a informação de interesse público. Sua comunicação se destaca pela responsabilidade editorial e pela capacidade de traduzir temas relevantes de forma acessível e impactante.

Mais do que informar, JB Moura comunica propósito. Em suas palestras e no Minuto Esperança, une conhecimento, fé e experiência para transmitir mensagens que despertam consciência, fortalecem valores e oferecem direção, impactando vidas com profundidade e esperança.

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