O Brasil atravessa a maior transição demográfica de sua história [IBGE]. De acordo com os dados mais recentes do Censo do IBGE, o país atingiu a marca histórica de 32,1 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, o que representa quase 16% de toda a população nacional [IBGE]. Esse envelhecimento acelerado redesenha as estruturas sociais, mas encontra o seu retrato mais expressivo e inspirador no interior do Rio Grande do Norte: a região do Seridó.
O território seridoense destaca-se nacionalmente por abrigar algumas das comunidades mais longevas do país. Municípios como Jardim do Seridó, Timbaúba dos Batistas e Ipueira lideram os índices de envelhecimento regionais, registrando uma proporção de idosos muito superior à média nacional. Mais do que uma estatística populacional, esses números refletem uma história construída à base de resiliência, forte senso comunitário e uma notável qualidade de vida que desafia o tempo.
É a partir desse cenário de sabedoria acumulada e vitalidade que prestamos nossa sincera homenagem. Celebrar a população idosa do Seridó é reconhecer as mãos que moldaram nossa identidade, guardaram nossas tradições e continuam a inspirar as novas gerações com lições diárias de dignidade e amor à nossa terra.
Símbolo de vitalidade: Maria Primo
Para falar de pessoas longevas, vamos trazer um exemplo de garra, alegria e lucidez.
Maria Primo da Silva, 96 anos, totalmente lúcida, se orgulha em dizer que é a mais idosa do Centro de Convivência de Idosos de Lagoa Nova, ela conta as horas para as sextas a tarde para se reunir com os amigos.

Símbolo da mulher sertaneja, vendeu muitos anos nas feiras as suas galinhas caipiras, feijão, macaxeira e todos os apanhados que a terra podia lhe dar.
Chegou a vender até na capital, onde conta muitas histórias de perrengues, onde era ignorada por gente simples e bem tratada por gente de posse.
Maria que hoje anda de bengala e que num som ritmado a bate no chão fazendo o tom do forró, já quebrou o fêmur e bacia num acidente doméstico e surpreendeu os médicos chegando para visita 6 meses depois da cirurgia, andando e assoviando igual andorinha.
Maria que já perdeu as contas de quantos netos tem, já contabiliza seus tataranetos.
Com a mesma alegria sempre da casa cheia, só não deixe os meninos correrem para rua, que é perigoso. Come de um tudo, mas sempre reclama do fastio.

Maria símbolo de amor, nunca negou um cheiro, uma conversa, só não gosta de gente gastona, nem preguiçosa, afinal ela com essa idade ainda diz que faz as “coisas em casa”. Assim como tantas idosas, Maria ficou viúva de Pedro Boa, há muitos anos, mas nunca quis colocar outro dentro de casa. Afinal essa mulher arretada suspeito que não aceitaria ordem do cabra macho que fosse.
Através dessa eterna comerciante e contadora de história. Homenageamos as grandes figuras de nossa terra, essa gente que subia e descia serra no lombo do jumento para conquistar o pão de cada dia, criar os “menino”, fez gente honrada e valiosa e ainda é uma verdadeira relíquia da história seridoense.







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