Como o antigo “Poço do Fumo” moldou o coração da nossa cidade.
Quem caminha hoje pelas ruas movimentadas do centro de Currais Novos, entre o comércio forte e o vaivém das pessoas, raramente para para pensar no chão em que está pisando. Mas a verdade é que a nossa cidade guarda segredos fascinantes sob o asfalto. Um dos capítulos mais curiosos da nossa fundação atende por um nome que quase caiu no esquecimento de todos, menos dos historiadores: o Poço do Fumo.
No século XIX, muito antes de Currais Novos se tornar o coração econômico e cultural do Seridó que conhecemos hoje, a nossa região era um ponto de passagem estratégico para criadores de gado e viajantes. E no meio do caminho de terra batida, havia um ponto de parada obrigatório.
O Oásis dos Viajantes
O “Poço do Fumo” era, literalmente, um poço situado nas proximidades do Rio Totoró. O local ganhou esse nome porque os vaqueiros, tropeiros e comerciantes que cruzavam o sertão paravam ali não apenas para dar água aos animais e saciar a própria sede, mas também para descansar à sombra, acender seus cachimbos e picar o fumo de corda enquanto trocavam notícias sobre as chuvas e as feiras da região.
Aquele pequeno poço era um oásis de convivência. Foi em torno da necessidade da água e do desejo de partilha daquelas conversas ao redor do poço que as primeiras moradas e os primeiros currais começaram a se fixar.
Do Poço ao Progresso
A abundância de água daquela área e a fertilidade da terra chamaram a atenção do capitão-mor Cipriano Lopes Galvão e, posteriormente, de seu filho, o coronel Laurentino Bezerra de Araújo Galvão — considerado o fundador oficial do município, que ali ergueu a primeira capela em honra a Sant’Ana.
Relembrar o Poço do Fumo não é apenas uma curiosidade sobre o passado; é entender que Currais Novos nasceu da hospitalidade, do encontro e da resiliência do povo do sertão. O que começou com um grupo de vaqueiros descansando à beira de um poço d’água transformou-se na nossa orgulhosa “Princesa do Seridó”.








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