O mercado financeiro nacional fechou o primeiro semestre sob forte pressão externa. Atraídos pelos juros elevados nos Estados Unidos e assustados com as incertezas fiscais domésticas, os investidores estrangeiros retiraram R$ 28,1 bilhões da Bolsa de Valores brasileira (B3) entre janeiro e junho, registrando o pior resultado para o período desde a pandemia de 2020.
A debandada bilionária acendeu o sinal de alerta entre economistas e gestores de fundos de investimento. O principal gatilho para a desconfiança dos grandes fundos globais reside no ceticismo quanto à capacidade do governo federal em equilibrar as contas públicas. Ruídos políticos sobre o cumprimento das metas de déficit zero e a falta de anúncios concretos para o corte de despesas estruturais aumentaram a percepção de risco país, afugentando o capital estrangeiro que busca previsibilidade.
Somado ao cenário interno, a política monetária norte-americana exerceu um forte papel de atração. Com os títulos do Tesouro dos Estados Unidos operando com taxas de rendimento elevadas, o fluxo de liquidez global naturalmente migrou de mercados emergentes para a segurança da economia americana. Como consequência direta dessa saída em massa de divisas, o dólar comercial registrou sucessivas altas no câmbio local, encarecendo insumos importados e limitando o espaço para reduções mais agressivas na taxa básica de juros (Selic).







Deixe um comentário