O Sindicato dos Bancários do Rio Grande do Norte (SEEB/RN) vem realizando manifestações recorrentes para denunciar o enxugamento da estrutura física do banco no estado. O plano corporativo foca na desativação de caixas físicos em unidades populares ou na conversão de agências tradicionais em “unidades de negócios” simplificadas (sem circulação de dinheiro em espécie).
- Unidades Fechadas ou Desativadas para o Público Geral: Uma das maiores polêmicas apontadas pelo sindicato ocorreu na capital, Natal, onde agências com atendimento popular foram severamente restringidas ou incorporadas, restando apenas uma única agência tradicional na cidade com a estrutura completa de caixas físicos para o público em geral. No interior, municípios de médio porte também perderam suas sedes convencionais, como a agência de São José de Mipibu, que teve as atividades encerradas.
- Unidades com Fechamento Previsto ou em Processo de Unificação: O Bradesco projeta desativar ou converter entre 600 e 700 agências no país. No Rio Grande do Norte, o banco estuda centralizar contas de clientes de municípios adjacentes da Grande Natal (como Ceará-Mirim e Parnamirim) e de cidades do interior (regiões do Seridó e Oeste Potiguar), migrando as carteiras para polos centrais ou convertendo os prédios remanescentes em escritórios exclusivos para atendimento de alta renda e empresas.
Balanço Financeiro: Lucro em Alta
Diferente do que muitos usuários imaginam, o fechamento das portas não indica crise financeira. O Bradesco registrou um lucro líquido de R$ 6,811 bilhões apenas no primeiro trimestre, representando um crescimento anual sólido de 16,1%. O banco fechou o ano anterior acumulando um lucro expressivo de R$ 24,652 bilhões. A eliminação de estruturas de concreto visa justamente elevar a rentabilidade e cortar gastos operacionais pesados.
O Principal Perfil dos Clientes Afetados
Historicamente, o Bradesco possui uma das bases mais volumosas de clientes de baixa renda, aposentados, pensionistas do INSS e servidores públicos, perfil herdado pela forte capilaridade que o banco detinha no interior do país.
Com a concorrência acirrada das fintechs (bancos digitais) que oferecem tarifas gratuitas, a receita com serviços tradicionais dessas contas populares caiu. A reestruturação atual foca em transferir o cliente comum de varejo para o autoatendimento por aplicativo no celular. Ao mesmo tempo, as agências físicas que permanecem abertas passam por reformas para focar em um perfil de alta renda (clientes Prime) e grandes empresas, que geram maior margem de lucro por meio de investimentos e linhas de crédito corporativas.
Ainda há Atendimento via Correios?
Não nos moldes antigos. O clássico contrato de exclusividade do “Banco Postal”, que permitia ao Bradesco operar serviços bancários completos, saques e depósitos dentro de todas as agências dos Correios, não existe mais.
Atualmente, o Bradesco utiliza uma estrutura descentralizada própria chamada Bradesco Expresso. Trata-se de uma rede de correspondentes bancários instalada diretamente em estabelecimentos comerciais parceiros locais, como mercadinhos, padarias e farmácias das próprias cidades do interior. Nessas unidades privadas credenciadas, os clientes conseguem realizar operações básicas de varejo, como pagamento de boletos e saques limitados, tentando suprir a ausência das agências físicas tradicionais que foram desativadas.







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