Considerada a maior reformulação fiscal do país em mais de meio século, a transição prática para a Reforma Tributária do Consumo começará a alterar a rotina operacional das empresas do Rio Grande do Norte já nas próximas semanas. Especialistas e lideranças do setor de comércio e serviços alertam que os negócios precisam adequar seus sistemas fiscais eletrônicos com urgência para evitar problemas de faturamento e perdas no fluxo de caixa no curto prazo.
De acordo com as diretrizes debatidas pela comissão tributária da Fecomércio RN, a alteração imediata de maior impacto prático a partir de agosto será a obrigatoriedade da inclusão dos novos campos destinados aos futuros tributos nos documentos fiscais eletrônicos. Mesmo com a cobrança integral dos impostos ocorrendo de forma gradual nos próximos anos, as empresas do regime regular já deverão preencher as linhas referentes ao Imposto sobre Bens e Serviços (IBS — estadual e municipal) e à Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS — federal). O objetivo desse período inicial é alimentar o banco de dados da Receita Federal para o cálculo das médias setoriais de alíquotas.
Outro ponto que exige atenção máxima dos empresários potiguares diz respeito à gestão financeira interna. O modelo que substitui o atual emaranhado do ICMS e ISS pela lógica da não cumulatividade transforma o planejamento fiscal em uma questão direta de fluxo de caixa. Para garantir a rentabilidade em 2027, as assessorias contábeis reforçam que as empresas precisam começar agora a mapear criteriosamente o levantamento de créditos de PIS e Cofins e revisar detalhadamente os contratos com seus fornecedores.
O dilema do Simples Nacional
Para as micro e pequenas empresas, que representam a maior parte do tecido empresarial do interior do estado e da região do Seridó, o cronograma reserva uma decisão estratégica vital para o mês de setembro. Os optantes pelo Simples Nacional terão que analisar e definir se permanecerão recolhendo o IBS e a CBS unificados dentro da guia regular do regime especial ou se optarão pelo recolhimento por fora. Essa escolha influenciará diretamente a capacidade da pequena empresa de repassar créditos tributários na venda de produtos para grandes clientes corporativos, exigindo planejamento estratégico imediato para não perder espaço no mercado.







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