O endividamento no Brasil deixou de ser um obstáculo temporário para se transformar em um problema estrutural e de longo prazo. De acordo com um estudo histórico de 10 anos do Mapa da Inadimplência da Serasa, 42% dos consumidores que estão com o nome negativado hoje já enfrentavam restrições de crédito há uma década, expondo a forte reincidência e a dificuldade das famílias em romper o ciclo das contas em atraso.
O avanço consistente da inadimplência levou o país ao patamar histórico de 81,7 milhões de pessoas negativadas, representando um crescimento de 38% no volume de devedores ao longo da última década. Paralelamente, o retrato da percepção econômica do brasileiro — medido em pesquisa recente do instituto PoderData — confirma o sufocamento do orçamento doméstico: exatamente 42% dos entrevistados declararam que a situação financeira familiar piorou no último semestre, pressionada pela inflação de itens básicos e pela perda do poder de compra.
Analistas econômicos apontam que as linhas de crédito livre e de alto custo, como o cartão de crédito (com juros no rotativo) e o cheque especial, são os principais motores desse endividamento crônico. A facilidade de acesso a esses recursos pré-aprovados vira uma bola de neve rapidamente, fazendo com que mais de 80% das famílias brasileiras possuam algum tipo de dívida ativa, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic). O cenário atinge de forma ainda mais severa as mulheres, que passaram a ser maioria entre as pessoas inadimplentes no país, e a população com mais de 60 anos, cuja inadimplência registrou avanço contínuo.









Deixe um comentário