O regime próprio de previdência dos servidores públicos do Rio Grande do Norte iniciou o ano de 2026 sob forte pressão fiscal. De acordo com os dados oficiais do Relatório Resumido da Execução Orçamentária (RREO) do terceiro bimestre, o Fundo em Capitalização do Regime Próprio de Previdência dos Servidores (RPPS) fechou o primeiro semestre com um déficit previdenciário de R$ 1,022 bilhão.
O resultado indica uma severa disparidade estrutural: o montante arrecadado por meio das contribuições regulares de servidores ativos e do próprio Estado é insuficiente para cobrir o pagamento de aposentados e pensionistas do Instituto de Previdência dos Servidores do Estado (IPERN). Com isso, o Tesouro Estadual precisa recorrer de maneira contínua a aportes complementares diretos para honrar a folha de benefícios.
Projeções e Contexto Histórico:
- Rombo estimado para 2026: A estimativa oficial é que o déficit acumulado salte para R$ 2,437 bilhões até dezembro.
- Histórico negativo: O fundo previdenciário estadual acumula resultados semestrais negativos consecutivos desde o ano de 2019. Nos últimos dez anos, o único balanço positivo registrado ocorreu em 2018.
- Contraste no caixa: O rombo da previdência contrasta com o fechamento geral do orçamento do Estado no semestre, que registrou superávit orçamentário geral de R$ 1,344 bilhão. No entanto, o peso dos gastos previdenciários consome a margem de investimentos públicos.
Economistas e analistas fiscais apontam que as receitas estaduais mantêm trajetória de crescimento, mas em ritmo muito inferior à evolução natural das despesas obrigatórias. A estabilização de longo prazo das contas do IPERN depende diretamente do avanço de reformas econômicas locais ou dos reflexos futuros da reforma tributária nacional sobre a arrecadação do estado.








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