SÓ 1,38% CHEGA AOS 10% MAIS RICOS
O Rio Grande do Norte enfrenta um severo desafio estrutural quando o assunto é igualdade de oportunidades e desenvolvimento humano. Dados oficiais revelados pelo inédito Atlas da Mobilidade Social no Brasil acenderam o sinal de alerta para a economia local: apenas 1,38% das pessoas que nascem nas famílias pertencentes à metade mais pobre do estado conseguem ascender e alcançar o grupo dos 10% mais ricos do país ao atingirem a vida adulta.
O levantamento estatístico posiciona o Rio Grande do Norte em uma incômoda marca nacional, figurando como o 8º pior estado brasileiro em capacidade de ascensão social. No sentido inverso da pirâmide, a rigidez da desigualdade econômica fica evidente no indicador de estagnação: 78,92% dos potiguares nascidos em lares de baixa renda permanecem na base ou na metade mais pobre da população ao longo de toda a sua trajetória produtiva.
O Peso da Origem Geográfica e Familiar
Para economistas e sociólogos, o índice de mobilidade social funciona como o termômetro definitivo sobre a eficiência das políticas públicas básicas. O resultado atual demonstra que o ecossistema econômico estadual — que abrange a qualidade da rede pública de ensino, a geração de empregos qualificados, a atração de investimentos privados e o suporte ao empreendedorismo periférico — não tem sido suficiente para permitir que os cidadãos rompam a barreira da vulnerabilidade em que nasceram.
A persistência desses números indica que, no cenário norte-rio-grandense contemporâneo, a meritocracia esbarra em fortes travas de infraestrutura e renda. O debate central que se impõe para a gestão pública e para as lideranças empresariais vai muito além do assistencialismo: trata-se de criar mecanismos reais para que a origem geográfica ou o código postal de um recém-nascido deixe de ser o fator determinante para cravar onde ele será capaz de chegar.








Deixe um comentário