Por Redação
RN, 17 de agosto de 2026

Com a proximidade do pleito de outubro, as pesquisas de opinião pública revelam que as principais preocupações do eleitorado brasileiro giram em torno de três eixos centrais: a perda do poder de compra (inflação), a falta de emprego produtivo e o sucateamento dos serviços básicos, como saúde e segurança.

No Rio Grande do Norte, esse cenário ganha contornos ainda mais dramáticos. O eleitor potiguar, além de enfrentar os desafios econômicos nacionais, convive com a realidade de um Estado historicamente asfixiado por crises fiscais repetitivas [ipern], atrasos crônicos de fornecedores e uma capacidade de investimento público praticamente zerada.

O Pecado Original: O Histórico de Endividamento e o Caixa do IPERN

Para entender como o Rio Grande do Norte chegou ao atual colapso fiscal, é preciso olhar para o retrovisor das finanças públicas. O endividamento do RN não é recente; ele foi construído ao longo de décadas através de folhas de pagamento infladas, falta de reformas estruturais e uma arrecadação que nunca conseguiu acompanhar o ritmo dos gastos da máquina pública.

O ápice dessa crise estrutural está no Instituto de Previdência dos Servidores do RN (IPERN). Historicamente, o instituto acumula um déficit atuarial que ultrapassa a marca de R$ 55,9 bilhões. No passado, um dos erros mais graves de gestão apontados por órgãos de controle foi a unificação dos fundos previdenciário e financeiro realizada em 2014, além de “empréstimos” e saques históricos feitos dentro das reservas do instituto para cobrir os rombos imediatos do caixa mensal e pagar salários atrasados da folha geral.

O que isso representa para a população hoje?
Cada centavo retirado do fundo de previdência para apagar os incêndios do caixa diário do governo significou menos dinheiro para a posteridade [ipern]. O resultado é que hoje o Tesouro Estadual precisa injetar R$ 150 milhões por mês do dinheiro dos impostos apenas para complementar as aposentadorias [ipern]. Esse montante bilionário consome cerca de 34% de todo o orçamento do RN, dinheiro este que deveria estar sendo usado para asfaltar rodovias, reformar escolas e comprar medicamentos para os hospitais regionais [ipern].

A Herança Maldita: O tamanho do desafio para o Próximo Governador

Com a governadora Fátima Bezerra (PT) impossibilitada de concorrer à reeleição, quem assumir a cadeira no Centro Administrativo em 1º de janeiro de 2027 herdará uma verdadeira bomba-relógio fiscal. As principais dificuldades que o próximo gestor irá enfrentar incluem:

  1. Orçamento Engessado: Praticamente toda a receita do Estado estará comprometida com despesas obrigatórias (folha de pessoal, previdência e pagamento de juros de dívidas passadas) [ipern]. A margem para criar novos projetos será quase nula.
  2. A Pressão Judicial do Rombo: O novo governador assumirá sob o peso de decisões judiciais e fiscalizações rígidas do Ministério Público e do Tribunal de Contas (TCE), que já impuseram prazos duros para planos de reequilíbrio previdenciário e proibiram novos resgates de aplicações [ipern].
  3. A Cobrança das Ruas: O eleitorado, cansado de promessas, exigirá melhorias rápidas na segurança pública e no atendimento médico, ignorando a falta de dinheiro em caixa.

O Governo do RN e uma Casa com as Contas Estouradas

Para entender de forma simples a gravidade da situação do Rio Grande do Norte, basta comparar a estrutura do Estado com a rotina de uma casa de família que está enfrentando a pior crise financeira de sua história:

  • Renda Pouca e Desemprego (Arrecadação Baixa): Imagine uma residência onde os principais provedores perderam o emprego ou passaram a ganhar muito pouco. Essa é a realidade da arrecadação de impostos do RN, que não cresce no ritmo necessário porque a economia local gira de forma lenta.
  • Gasto Muito Acima do Limite: Apesar de entrar pouco dinheiro, os moradores dessa casa continuam gastando muito. As contas de consumo fixo são altíssimas e não param de crescer. No caso do Estado, essa despesa incontrolável é a folha de pagamento e o rombo do IPERN [ipern].
  • Vivendo no Cheque Especial: Como o salário do mês acaba na primeira semana, a família passa a pagar o aluguel e a feira usando o limite do cartão de crédito, o cheque especial e fazendo empréstimos com vizinhos. É exatamente isso que o governo fez ao longo dos anos ao reter repasses de municípios, atrasar fornecedores e usar os fundos da previdência para fechar o caixa [ipern].
  • As Consequências no Teto: Como todo o dinheiro que entra vai direto para pagar os juros da dívida e o cartão de crédito, a família não consegue dinheiro para consertar a infiltração no teto, pintar as paredes ou trocar a geladeira que quebrou. Na estrutura do Estado, o teto caindo representa as estradas esburacadas, os hospitais sem insumos e a falta de viaturas para a polícia.

O próximo governador do Rio Grande do Norte não será apenas um administrador político; ele precisará ser um severo gestor de crise para evitar que essa “casa” decrete falência total antes do fim do mandato.

Vale lembrar que noticiamos o início de tudo no Programa Bom dia Seridó, na 95.1FM, alertamos para esta situação futura. O governo vem agindo como um cidadão que consegue por erro bancário um limite alto no cartão e sai gastando porque consegue e não porque saldará a fatura.

Deixe um comentário

João Batista de Moura

Com formação em Pedagogia, Teologia e Psicanálise, além de MBA em Marketing e Gestão de Pessoas, JB Moura construiu uma trajetória consistente e multidisciplinar voltada à comunicação, ao desenvolvimento humano e à liderança.

São mais de 20 anos dedicados à comunicação no Seridó e no Rio Grande do Norte, com atuação consolidada no jornalismo e no rádio, sempre marcada pela credibilidade, clareza e compromisso com a informação de interesse público. Sua comunicação se destaca pela responsabilidade editorial e pela capacidade de traduzir temas relevantes de forma acessível e impactante.

Mais do que informar, JB Moura comunica propósito. Em suas palestras e no Minuto Esperança, une conhecimento, fé e experiência para transmitir mensagens que despertam consciência, fortalecem valores e oferecem direção, impactando vidas com profundidade e esperança.

Siga-nos