Com saldo positivo impulsionado pelos pequenos negócios, mercado potiguar enfrenta os gargalos da carga tributária e da gestão; no Seridó, nichos de serviços e e-commerce lideram a nova economia regional. 

O ecossistema de negócios do Rio Grande do Norte segue em expansão, operando sob uma forte dinâmica de criação de novas empresas. Dados oficiais da Junta Comercial do RN (Jucern), referentes ao primeiro semestre de 2026, apontam que foram abertos 31,4 mil novos pequenos negócios no estado — um avanço expressivo de 12,6% comparado ao primeiro semestre de 2025. O movimento acompanha a tendência nacional de busca pela formalização e consolidação do próprio negócio, posicionando microempresas (MEs) e microempreendedores individuais (MEIs) como os grandes motores da economia potiguar. 

Contudo, a balança comercial empresarial também expõe a fragilidade do mercado. No mesmo período de recortes estatísticos, 18.104 empresas fecharam as portas no RN, representando uma alta de 14,4% nos encerramentos em relação ao ano passado. A alta taxa de mortalidade precoce de novos CNPJs recoloca em debate as barreiras estruturais enfrentadas por quem decide empreender em solo norte-rio-grandense. 

Os Principais Desafios: Gestão e Carga Tributária
Analistas econômicos e técnicos do Sebrae-RN apontam que o encerramento de atividades comerciais raramente ocorre por um único fator. Entre as micro e pequenas empresas, o principal motivo citado é a falta de retorno financeiro imediato e a escassez de capital de giro. Além disso, falhas crassas na gestão interna — como a ausência de planejamento financeiro, a formação inadequada de preços e o desconhecimento real sobre custos operacionais e margem de lucro — funcionam como armadilhas invisíveis nos primeiros anos de operação. 

Soma-se a isso o peso da carga tributária. A complexidade fiscal brasileira e os custos de conformidade tributária exigem fôlego financeiro das empresas recém-criadas. Mesmo para as optantes pelo Simples Nacional, manter as obrigações em dia diante da flutuação de mercado e do poder de compra reduzido do consumidor final torna-se um exercício diário de sobrevivência. 

A Força do Empreendedorismo no Seridó: Novos Nichos em Foco
Se a Grande Natal concentra a maior fatia de aberturas do estado, o interior mostra uma força descentralizada impressionante, com destaque para a região do Seridó. Historicamente reconhecida pela solidez de sua indústria têxtil, de bonés e da cadeia agroalimentar (com a força dos queijos artesanais), a região vem passando por uma transição em seu perfil de novos negócios. 

As novas empresas abertas no Seridó têm se concentrado fortemente no setor de Serviços e no Varejo Conectado. O avanço da digitalização impulsionou o surgimento de pequenos negócios voltados ao e-commerce de moda e artesanato regional, além de microempresas focadas em serviços de tecnologia, marketing digital, estética, beleza e gastronomia gourmet. Essa diversificação de nichos de mercado é estratégica: ela reduz a dependência econômica de monoculturas industriais e injeta inovação e capilaridade financeira em municípios como Caicó, Currais Novos e Parelhas. 

O futuro do mercado potiguar depende diretamente da capacidade do Estado e das instituições de apoio em fornecer não apenas a desburocratização na abertura de portas, mas mecanismos sólidos de crédito e capacitação de gestão para que as empresas abertas hoje não engrossem as estatísticas de fechamento de amanhã. 

Você é empreendedor no RN ou tem o sonho de abrir o próprio negócio? Quais são as suas maiores dificuldades hoje? Participe do debate deixando seu comentário abaixo! 

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João Batista de Moura

Com formação em Pedagogia, Teologia e Psicanálise, além de MBA em Marketing e Gestão de Pessoas, JB Moura construiu uma trajetória consistente e multidisciplinar voltada à comunicação, ao desenvolvimento humano e à liderança.

São mais de 20 anos dedicados à comunicação no Seridó e no Rio Grande do Norte, com atuação consolidada no jornalismo e no rádio, sempre marcada pela credibilidade, clareza e compromisso com a informação de interesse público. Sua comunicação se destaca pela responsabilidade editorial e pela capacidade de traduzir temas relevantes de forma acessível e impactante.

Mais do que informar, JB Moura comunica propósito. Em suas palestras e no Minuto Esperança, une conhecimento, fé e experiência para transmitir mensagens que despertam consciência, fortalecem valores e oferecem direção, impactando vidas com profundidade e esperança.

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