O combate às organizações criminosas especializadas em fraudar certames públicos ganhou um capítulo de impacto no Rio Grande do Norte. Durante a aplicação das provas do concurso da Polícia Penal do RN (PPRN), realizada no último domingo (13), uma ação coordenada pela Polícia Civil do RN efetuou a prisão em flagrante de 12 candidatos. O certame, que atraiu mais de 40 mil inscritos, oferece 260 vagas imediatas para o sistema prisional potiguar.
O Modus Operandi do Esquema
A ofensiva policial ocorreu simultaneamente nos dois principais polos de aplicação dos exames no estado:
- Em Mossoró: Os investigadores prenderam 10 pessoas em flagrante dentro das salas de aula. Os candidatos foram flagrados portando microfones e pontos eletrônicos ocultos, utilizados para receber as respostas das questões de forma externa.
- Em Natal: Outras duas pessoas foram identificadas e presas pelo mesmo crime.
As investigações preliminares apontam que o grupo contava com o suporte de uma estrutura externa. Especialistas ficavam fora dos locais de prova resolvendo os cadernos de questões e transmitindo os gabaritos em tempo real aos candidatos pagantes por meio das frequências de rádio dos dispositivos eletrônicos. A força-tarefa contou com o suporte logístico e de inteligência da Secretaria de Administração Penitenciária (SEAP) e da Secretaria de Administração (SEAD).
Enquadramento Penal e Próximos Passos
Os 12 suspeitos detidos foram conduzidos à delegacia para a lavratura do flagrante. Eles responderão criminalmente com base no artigo 311-A do Código Penal, que tipifica o crime de fraude em certames de interesse público. A pena prevista varia de um a quatro anos de reclusão, além de multa.
Os materiais eletrônicos foram apreendidos para perícia técnica. Até o momento, as autoridades estaduais informaram que não há decisão de anulação do concurso, e o cronograma das próximas etapas segue mantido enquanto a polícia aprofunda o caso para identificar os líderes da organização criminosa.







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