
Editorial
Por JB Moura.
É uma beleza ver o desprendimento do gestor quando a munição não sai do seu próprio bolso. Fazer barulho e dar show de fogos de artifício é fácil demais quando a pólvora foi comprada com o dinheiro de toda a sociedade.
Quando o boleto sai da nossa carteira, a gente pesquisa preço, chora desconto e calcula cada centavo. Mas na gestão pública, a mágica acontece. O milagre da multiplicação de zeros transforma qualquer ideia duvidosa em prioridade urgente, sempre com direito a plateia, corte de fita e foto sorrindo para as redes sociais.
Governar exige recursos. Ninguém faz obra sem investimento. A diferença é que a Constituição exige duas coisas fundamentais que costumam ser ignoradas: eficiência e transparência. Para quem controla a pirotecnia, a lógica virou outra: atira primeiro e tenta explicar a conta depois.
Nesse grande espetáculo, quem acende o pavio fica com os aplausos e a fama de realizador. Quando a fumaça baixa e o barulho passa, a fatura chega pontual no endereço do cidadão.
Fica a pergunta para quem adora apertar o gatilho financeiro: se a munição saísse da sua conta bancária, você faria esse mesmo disparo? Ou a coragem só existe porque o dinheiro é dos outros?






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