O combate ao crime patrimonial eletrônico subiu de patamar no Brasil. A segunda fase da Operação Última Chamada, realizada de forma integrada pelo Ministério da Justiça (MJSP), Receita Federal e Polícias Civis estaduais, deixou um rastro de prejuízo bilionário para as redes de receptação. O balanço nacional consolidado assusta pelo volume: mais de R$ 500 milhões em bens e contas foram bloqueados, mais de 170 mandados de busca foram cumpridos e 139 pessoas acabaram presas em flagrante. Somadas as duas fases da operação nacional, quase 10 mil aparelhos foram retirados de circulação ilegal.
No Rio Grande do Norte, o foco da operação dividiu-se entre a repressão e a reparação. No bairro do Alecrim, tradicional polo comercial de Natal, as equipes da Polícia Civil do RN e da Sefaz/RN estouraram pontos de venda de produtos de origem estrangeira sem nota fiscal, resultando na apreensão de R$ 170 mil em iPhones, smartwatches e tablets contrabandeados.
O mutirão de devolução de 1.400 celulares no RN
Mais do que prender os receptadores, a polícia potiguar iniciou nesta sexta-feira (18) uma das maiores ações de restituição de patrimônio da história do estado. Cerca de 1.400 aparelhos celulares recuperados começaram a ser devolvidos às vítimas de roubos e furtos.
O processo de localização utilizou tecnologia e inteligência cruzando os dados do IMEI com o Banco Nacional de Celulares com Restrição. Os novos usuários que estavam de posse dos aparelhos roubados foram notificados diretamente via WhatsApp para entregarem os equipamentos espontaneamente na delegacia, sob o risco de responderem pelo crime de receptação. As entregas estão centralizadas na Cidade da Polícia, em Natal, e nas sedes de 13 Delegacias Regionais no interior (incluindo pólos como Currais Novos, Caicó, Mossoró e Santa Cruz).
🧠 Quebrar a economia do roubo é a única saída
O sucesso da Operação Última Chamada demonstra que a segurança pública finalmente entendeu a mecânica do crime moderno. Durante décadas, as polícias focavam apenas em prender o assaltante na ponta do cano do revólver — uma tática enxuga-gelo, já que o bandido roubava o celular sabendo que haveria uma loja no centro da cidade pronta para comprar o aparelho por uma fração do preço e revendê-lo como “vitrine” ou “semi-novo”.
Ao usar a inteligência digital para intimar quem comprou o produto roubado e realizar bloqueios financeiros de R$ 500 milhões nos grandes distribuidores, o Estado ataca o coração do problema: o lucro. O cidadão comum também precisa acordar. Quem compra um smartphone de R$ 5 mil por R$ 1.500 em uma banca sem nota fiscal não está fazendo um “bom negócio”; está financiando o assalto que, amanhã, pode vitimar a sua própria família. A segurança pública começa no rastro do dinheiro e termina na consciência do consumidor.







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