Um crime de proporções devastadoras chocou o interior do Rio Grande do Norte. Por volta das 5h da manhã desta sexta-feira (18), no bairro Paraíso, em Santa Cruz/RN, três mulheres foram brutalmente executadas dentro de casa. O autor da chacina foi José Juscelino de Oliveira. No mesmo ataque, duas crianças (filhas de uma das vítimas, de 8 e 11 anos) foram baleadas. Graças à intervenção desesperada de vizinhos e parentes, que arrombaram a janela do imóvel, os menores foram resgatados vivos e transferidos sob escolta para o Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, em Natal. Até o cachorro da família foi morto pelo agressor.
A barbárie mobilizou as forças de segurança locais. Após o triplo homicídio, José Juscelino fugiu e foi cercado pelas equipes da Polícia Militar. Houve confronto, e um policial militar acabou sendo baleado no braço. Ao perceber que seria capturado, o criminoso atirou contra a própria cabeça e morreu no local.
O Passado do Assassino e o “Furo” do Regime Aberto
O desdobramento mais alarmante do caso veio com a apuração da Polícia Civil. José Juscelino de Oliveira não era um réu primário; ele era um criminoso reincidente. O homem já havia sido condenado e cumprido 10 anos de prisão em regime fechado por um homicídio cometido anteriormente na cidade de Parnamirim.
Há cerca de dois anos, ele havia progredido para o regime semiaberto/aberto e se mudou para Santa Cruz. A investigação preliminar da equipe de reportagem da TV Tropical RN revelou um dado estarrecedor: o indivíduo não utilizava tornozeleira eletrônica e transitava livremente pela sociedade, levantando suspeitas imediatas de premeditação do crime.
A sensação de impunidade que mata mulheres
O triplo homicídio de Santa Cruz ultrapassa a barreira da violência doméstica comum e expõe as veias abertas das falhas do sistema prisional e judiciário brasileiro. Como um homem com histórico de tirar a vida de outra pessoa recebe o direito de retornar ao convívio social sem qualquer tipo de monitoramento ou fiscalização eletrônica estatal?
A tragédia do Trairi desenha o pior dos cenários: a falha na execução penal operando como cúmplice involuntária do feminicídio. Enquanto o debate político nacional se perde em narrativas eleitorais na reta final das campanhas, a ponta mais vulnerável da sociedade — mulheres e crianças — continua pagando com sangue a ineficiência de uma justiça que solta, mas esquece de vigiar. Deixar um homicida livre e sem amarras em uma comunidade não é ressocialização; é uma crônica de mortes anunciadas que destruiu uma família inteira.






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