Manifestação eleitoral e contraprotesto terminam em agressões físicas, depredação de patrimônio e suspensão de aulas em Natal.
O reflexo mais agudo da polarização política que cinde o país atingiu o ambiente acadêmico da capital potiguar. Uma manifestação eleitoral realizada no Campus Central da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), em Natal, descambou para um grave confronto físico entre militantes de direita e grupos de esquerda. O episódio, que expõe os perigos da perda de diálogo e do extremismo ideológico, resultou em feridos, danos materiais à instituição e a interrupção forçada de atividades letivas.
O tumulto teve início nas proximidades dos setores de aula III e IV da universidade. Apoiadores do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) organizaram um ato de campanha intitulado “UFRN Anti-Lula”, que contou com a participação do deputado federal General Girão (PL), da vereadora Camila Araújo (PL) e do presidente estadual do partido Novo, Renato Cunha Lima. Em contrapartida, estudantes e militantes de esquerda se mobilizaram no mesmo espaço para realizar um contraprotesto. O encontro dos dois blocos gerou uma rápida escalada de tensões, com a troca de insultos verbais logo evoluindo para empurrões e agressões corporais severas.
Durante o pico do conflito, concentrado em um dos portões de acesso ao estacionamento do Setor IV, a estrutura de ferro foi danificada pela força dos manifestantes. Relatos e vídeos amplamente divulgados nas redes sociais registraram agressões mútuas; um estudante de Jornalismo ficou ferido com sangramentos na boca após ser atingido por socos, enquanto o lado oposto alegou depredações a veículos particulares e ferimentos causados por pedradas. Diante do cenário de total insegurança, professores precisaram criar barreiras humanas para conter os ânimos e aulas presenciais chegaram a ser suspensas na universidade.
O episódio motivou denúncias imediatas junto ao aplicativo Pardal, da Justiça Eleitoral, por suspeita de propaganda irregular em órgão público. O Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RN) enviou equipes de fiscalização ao campus e acionou o suporte da Polícia Militar para restabelecer a ordem na área. Em nota conjunta, o Diretório Central dos Estudantes (DCE) e a Associação de Pós-Graduandos repudiaram a violência e cobraram a manutenção do campus como um espaço seguro, plural e democrático. O trágico cenário serve como um severo lembrete de que a política não pode avançar sobre as barreiras da integridade física e do respeito mútuo.








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