Investigada pela Polícia Federal, empresária propõe delação premiada, rebate acusações de “pilantra” e responsabiliza o presidente por sua segurança.
Uma série de declarações contundentes da empresária e lobista Roberta Luchsinger sacudiu os bastidores políticos na reta final do segundo turno das eleições. Investigada no âmbito da Operação Sem Desconto, que apura fraudes bilionárias no INSS, Roberta concedeu entrevistas coletivas e publicou vídeos afirmando que pretende firmar um acordo de delação premiada junto à Justiça. O estopim para o posicionamento público ocorreu após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamá-la publicamente de “pilantra”. Em tom de forte reação, a empresária afirmou em suas redes: “se sou pilantra, eles também são”, referindo-se ao mandatário e ao seu filho primogênito, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
A principal linha de contestação de Roberta envolve a atuação de Lulinha dentro da estrutura governamental. Contrariando declarações do presidente de que o filho jamais despachou ou se encontrou com autoridades da gestão, a lobista garantiu ter provas de que Lulinha se reunia semanalmente com ministros de Estado, incluindo agendas recorrentes com Camilo Santana, da Educação, e Frederico de Siqueira Filho, das Comunicações. Segundo os relatos encaminhados por seus advogados às investigações, esses encontros ocorriam a portas fechadas em uma mansão administrada por ela em Brasília. Os inquéritos da Polícia Federal miram suposto tráfico de influência e corrupção passiva envolvendo a facilitação de regras da Anvisa para a venda de medicamentos à base de canabidiol para o SUS, além de transações financeiras atípicas com o ex-chefe de gabinete da presidência.
O ponto mais dramático do depoimento público de Roberta Luchsinger foi o anúncio de que teme pela própria vida e pela integridade de suas duas filhas. A empresária relatou estar recebendo cerca de 50 ameaças de morte diárias nas redes sociais e reportou que os perfis de suas filhas sofreram invasões com mensagens de violência extrema. Diante da gravidade da situação, ela confirmou a decisão de enviar as jovens para o exterior de forma preventiva. Roberta concluiu as gravações direcionando a responsabilidade diretamente ao Palácio do Planalto: “se acontecer algo comigo ou com minhas filhas, a digital é do presidente”.
Em nota oficial encaminhada à imprensa, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República negou categoricamente as acusações, declarando que Lula desconhece os fatos relatados, nunca manteve interlocução com Roberta e não compactua com interferências externas. Os ministérios citados também emitiram comunicados rechaçando qualquer agenda fora dos canais institucionais, enquanto a defesa de Lulinha classificou as denúncias como “pescaria probatória” com viés eleitoral.








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