Mais da metade da população adulta do Rio Grande do Norte enfrenta dificuldades para manter as contas em dia. Dados do Mapa de Inadimplência e Renegociação de Dívidas da Serasa apontam que 51,8% dos adultos do estado estavam inadimplentes em maio, totalizando 1.379.226 pessoas com pendências financeiras.
Ao todo, os potiguares acumulam R$ 7,8 bilhões em dívidas, distribuídas em 4.477.740 débitos. Em média, cada consumidor com contas em atraso deve R$ 5.664,86. Apesar do cenário preocupante, houve uma pequena redução de 0,10% em relação ao mês anterior.
As dívidas com bancos e cartões de crédito representam a maior parcela dos débitos, correspondendo a 32,1% do total. Em seguida aparecem as financeiras, com 25,59%, e as empresas de serviços essenciais, como água, energia e telefonia, responsáveis por 13,98%.
Segundo a especialista em educação financeira da Serasa, Aline Vieira, a inadimplência reflete os desafios enfrentados pelas famílias diante do aumento do custo de vida e da dificuldade em absorver imprevistos financeiros.
Em fevereiro deste ano, o custo médio mensal de vida dos potiguares chegou a R$ 2.550, valor superior ao salário mínimo nacional, o que ajuda a explicar o elevado índice de endividamento.
Com 1,37 milhão de pessoas negativadas, o Rio Grande do Norte ocupa a sexta posição entre os estados nordestinos em número absoluto de inadimplentes. O estado fica atrás da Bahia, Ceará, Pernambuco, Maranhão e Paraíba.
Entre abril e maio, o RN apresentou uma pequena queda no número de consumidores com restrições, acompanhando uma tendência observada em outros estados da região.
Para o presidente do Conselho Regional de Economia do Rio Grande do Norte (Corecon-RN), Ricardo Valério, a redução da inadimplência passa necessariamente pela educação financeira.
Segundo o economista, muitas pessoas recorrem a novos empréstimos para quitar dívidas antigas, criando um ciclo difícil de romper. Ele defende que o ensino sobre planejamento financeiro seja incentivado desde cedo, tanto nas escolas quanto nas empresas.
Além de programas de renegociação, como o Desenrola Brasil, especialistas destacam que a conscientização sobre o uso do crédito e o controle dos gastos são fundamentais para evitar que o número de inadimplentes continue elevado.
Mesmo com a leve queda registrada em maio, os especialistas alertam que o cenário ainda exige cautela, já que os índices de endividamento permanecem altos em todo o país.








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