Por jbmoura
O Brasil venceu o Japão. Venceu de virada, com emoção, sofrimento, susto e aquele velho ingrediente que tantas vezes salvou a Seleção Brasileira: a capacidade de reagir quando tudo parece escapar.
No futebol, o Brasil ainda sabe fazer algo que fora de campo parece ter desaprendido: reconhecer o erro, mudar a postura e buscar o resultado.
O Japão abriu o placar e, por alguns momentos, expôs aquilo que o futebol também revela sobre os povos. De um lado, a disciplina, a organização, a obediência tática e a concentração japonesa. Do outro, o talento, a criatividade, a improvisação e a força emocional brasileira.
E talvez esteja aí uma das grandes lições do jogo.
O Brasil do futebol ainda consegue vencer porque, mesmo errando, reage. Leva o gol, sente o golpe, mas não se entrega. Ajusta o time, muda a intensidade, empurra o adversário para trás e transforma pressão em possibilidade.
A pergunta inevitável é: por que essa mesma reação não aparece com a mesma força nos outros campos da vida nacional?
Quando o Brasil toma gols na educação, muitas vezes demora a corrigir a rota. Quando toma gols na saúde, normaliza filas, esperas e improvisos. Quando toma gols na segurança, convive com o medo como se ele fosse parte natural da paisagem. Quando toma gols na infraestrutura, na política, na gestão pública e na economia, parece seguir tocando a bola para o lado, sem urgência, sem estratégia e sem cobrança real.
No campo, se o time está perdendo, ninguém aceita discurso vazio. A torcida cobra. O treinador muda. O jogador se entrega. O relógio aperta. A derrota incomoda.
Fora dele, infelizmente, muitas derrotas coletivas já não causam o mesmo incômodo.
O jogo contra o Japão nos lembrou que talento é importante, mas talento sem organização sofre. Criatividade é uma virtude, mas criatividade sem método se perde. Emoção empurra, mas emoção sem planejamento não sustenta uma nação.
O ideal seria que o Brasil aprendesse com o próprio jogo: unir a criatividade brasileira à disciplina japonesa; juntar a coragem de improvisar com a seriedade de planejar; manter a alegria do nosso povo, mas abandonar a mania perigosa de deixar tudo para o último minuto.
Porque um país não pode viver apenas de viradas heroicas.
Na educação, não podemos esperar os acréscimos. Na saúde, não podemos depender de lampejos. Na segurança, não podemos jogar no improviso. Na política, não podemos aceitar que a mediocridade vista a camisa da normalidade.
O futebol nos alegra porque ainda nos dá a sensação de que o Brasil pode vencer. Mas a vida real exige mais do que camisa, hino e emoção. Exige liderança, estratégia, responsabilidade, trabalho sério e compromisso com resultado.
A Seleção venceu o Japão. Que bom. O país vibra, e tem razão para vibrar.
Mas a maior partida do Brasil continua sendo jogada todos os dias fora dos estádios: nas escolas, nos hospitais, nas ruas, nas famílias, nas empresas, nos gabinetes e nas decisões públicas.
E nessa partida, não basta ter talento.
É preciso jogar sério.








Deixe um comentário