Editorial
Ontem, o placar disse: Noruega 2, Brasil 1.
Mas talvez a maior derrota não tenha acontecido dentro de campo
A derrota no futebol dói por noventa minutos.
A derrota na gestão de um país dói por gerações.
O Brasil perdeu para a Noruega. E tudo bem: no futebol, até os gigantes caem. O problema é que, quando a bola para de rolar, fica uma pergunta maior do que o placar: por que um país tão pequeno consegue transformar suas riquezas em futuro, enquanto um país tão grande como o Brasil tantas vezes transforma suas riquezas em desperdício?
A Noruega é menor, tem menos gente, menos barulho e menos espetáculo. Mas fez uma escolha histórica: olhou para suas riquezas e pensou nos filhos, nos netos, nas próximas gerações. Criou reserva, criou planejamento, criou estabilidade.
O Brasil, por outro lado, tem quase tudo: território, água, energia, minérios, produção, criatividade, juventude e um povo trabalhador. Mas ainda sofre com uma política que muitas vezes pensa mais na próxima eleição do que na próxima geração.
A diferença não está apenas no campo. Está na mentalidade.
Lá, riqueza é tratada como responsabilidade.
Aqui, muitas vezes, riqueza vira disputa.
Lá, o futuro entra no orçamento.
Aqui, o orçamento muitas vezes desaparece no presente.
Lá, planeja-se para décadas.
Aqui, improvisa-se para sobreviver ao noticiário.
Por isso, a derrota de ontem não deveria servir apenas para discutir escalação, técnico ou jogador. Deveria servir para discutir país.
Os jogadores não devem explicação à Noruega. Quem deve explicação ao povo brasileiro é uma classe política que há décadas administra um país rico como se ele fosse pobre, improvisado e sem destino.
O Brasil não perdeu para a Noruega porque faltou talento em campo; o Brasil perde todos os dias quando sobra riqueza no chão e falta grandeza na cabeça de quem governa.
A pergunta não é por que perdemos ontem.
A pergunta é por que um país com tantas riquezas ainda não aprendeu a vencer o jogo mais importante: o jogo do futuro






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