A Justiça do Rio de Janeiro converteu em preventiva a prisão do funcionário do Banco do Brasil (BB), Carlos Luiz Araújo Pelegrino, suspeito de vazar dados sigilosos de quase 2,9 mil contas bancárias de clientes de todo o país para alimentar um servidor externo controlado por uma organização criminosa especializada em fraudes.
O funcionário, que atuava na instituição há mais de 20 anos, utilizou suas credenciais profissionais e facilidade de acesso ao sistema interno para coletar as informações. De acordo com os relatórios das investigações conduzidas pelas autoridades com suporte da segurança institucional do próprio banco, o esquema resultou em um prejuízo estimado de R$ 1,43 milhão.
Como Funcionava o Esquema Criminoso
Aproveitando-se de seu cargo e das permissões internas que possuía, o funcionário realizava consultas indevidas e extraía dados cruciais para a aplicação de golpes financeiros. O monitoramento técnico apontou que a ação criminosa envolveu 4.105 registros de consultas, atingindo exatamente 2.898 contas bancárias.
Dentre as informações sigilosas repassadas pelo funcionário à facção, estavam:
- Nomes completos e números de CPF;
- Números de telefone dos correntistas;
- Saldos bancários atualizados;
- Limites de crédito disponíveis para transferências via Pix.
Esses dados sensíveis eram enviados em tempo real para um servidor externo ligado aos fraudadores. A quadrilha utilizava o detalhamento das contas para realizar saques indevidos, transferências fraudulentas e aplicar golpes customizados contra os correntistas do banco. As contas lesadas pertenciam a clientes espalhados por 585 agências do Banco do Brasil, localizadas em diferentes regiões do território nacional.
Atuação da Justiça e Conversão da Prisão
O bancário havia sido preso em flagrante durante as investigações. Na audiência de custódia realizada no Rio de Janeiro, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), por meio do seu Núcleo de Atuação Perante as Centrais de Audiência de Custódia (NACAC), se manifestou pedindo a alteração do regime de detenção.
A Justiça fluminense acolheu o pedido e decretou a prisão preventiva do investigado. Na decisão judicial, o magistrado destacou a extrema gravidade da conduta, a complexa estrutura digital montada pela organização para receber os dados, a severa quebra de confiança corporativa por parte de um profissional sênior da instituição e o risco que sua liberdade representaria à ordem pública e à coleta de novas provas.
O funcionário do banco responde formalmente pelos crimes de acesso ilegal a sistemas informatizados, tentativa de furto mediante fraude e participação em organização criminosa. As investigações seguem em andamento pelas autoridades policiais para identificar os outros integrantes da facção que operavam o servidor externo e dimensionar o alcance final das fraudes aplicadas no país.









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