Ex-prefeito de Mossoró tenta carimbar marca de “caloteira” na gestão estadual visando o pleito de 2026, mas ações na Justiça revelam faturas em aberto em seu próprio município.

Por Redação
Natal, 6 de agosto de 2026
O debate político rumo à sucessão estadual ganhou contornos de ironia fina nesta semana. O prefeito de Mossoró e pré-candidato ao Governo do Estado, Allyson Bezerra (União Brasil), resolveu subir o tom contra a atual gestão da governadora Fátima Bezerra (PT). Mirando o desgaste do grupo governista para a disputa de outubro, Allyson disparou o adjetivo que costuma inflamar as redes sociais: chamou a administração estadual de “caloteira”, em alusão aos históricos atrasos e repasses do governo às prefeituras.
O objetivo do prefeito é claro: enfraquecer o candidato à sucessão apoiado por Fátima. O problema de arremessar pedras quando se tem telhado de vidro é que os arquivos do Poder Judiciário são públicos. Bastaram algumas horas para que registros de processos fossem revirados, revelando que a prefeitura comandada pelo “Garoto do Chapéu de Couro” também não é exatamente um exemplo de pontualidade britânica no pagamento de suas obrigações.
Registros oficiais de ações que tramitam na Justiça potiguar jogaram um balde de água fria no discurso de paladino da responsabilidade fiscal de Allyson. O município de Mossoró figura em cobranças por atrasos em repasses a prestadores de serviços, fornecedores de insumos básicos e convênios de saúde.
A ironia da política potiguar é rápida e impiedosa. Descobriu-se que, no quesito deixar credores de cabelo em pé, o modelo de gestão de Mossoró e a criticada administração estadual em Natal compartilham de problemas parecidos.
Na arena eleitoral, a tática de tentar carimbar o padrinho político do adversário é velha, mas exige ficha limpa no SPC da administração pública. Ao tentar colar a pecha de desorganização financeira no governo alheio, Allyson acabou atraindo os holofotes para as suas próprias gavetas cheias de faturas em aberto. Resta saber se o discurso vai colher votos ou se o eleitor vai perceber as contradições antes de chegar às urnas.







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