Ação conjunta causou prejuízo estimado em R$ 2,25 milhões ao crime organizado; motoristas fugiram por área de mata na BR-226 após perseguição tática.

Por Redação
Currais Novos/RN — 6 de agosto de 2026

Uma ofensiva de inteligência unindo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), a Receita Federal, a Polícia Federal (PF) e a Polícia Civil do Rio Grande do Norte (PCRN) desarticulou um robusto esquema de escoamento de mercadorias ilícitas que cruzava a região do Seridó potiguar. A interceptação ocorreu no km 197 da rodovia federal BR-226, no trecho que conecta os municípios de Currais Novos e São Vicente.

A ocorrência teve início na madrugada quando as equipes de fiscalização emitiram ordem de parada a dois caminhões-baú que trafegavam em atitude suspeita. Os condutores desobedeceram à determinação e iniciaram uma fuga em alta velocidade.

Durante o acompanhamento tático realizado pelas forças policiais, um dos caminhões (modelo VW/24.250 de cor branca) acabou perdendo o controle, saindo da pista e descendo o acostamento. O segundo caminhão (modelo VW/BMB de cor prata) foi abandonado logo em seguida. Aproveitando-se da escuridão, os envolvidos fugiram para a área de mata densa às margens da rodovia e conseguiram escapar.


Valores Somados e Prejuízo ao Crime

A vistoria nos compartimentos de carga revelou um carregamento massivo de cigarros de origem estrangeira introduzidos ilegalmente no território nacional.

  • Volume Apreendido: Cerca de 450 mil maços de cigarro (equivalente a 9 milhões de unidades de cigarros).
  • Apreensão do Veículo Clonado: Um dos caminhões inspecionados utilizava placas clonadas de outro veículo regular, ocultando um registro ativo de roubo.
  • Valor de Mercado: Toda a carga e os ativos veiculares retidos foram avaliados pelas autoridades em aproximadamente R$ 2,25 milhões, representando um duro golpe no fluxo de caixa das facções que financiam o mercado ilegal.

A Rota de Distribuição e Inteligência

A interceptação na BR-226 não foi aleatória. De acordo com a assessoria da PRF, a abordagem foi fruto de um planejamento operacional baseado em análise de risco e mapeamento de inteligência.

O Rio Grande do Norte tem sido mapeado como um importante entreposto logístico. Recentemente, investigações do Ministério Público Federal (MPF) demonstraram que organizações criminosas utilizam embarcações clandestinas vindas do exterior para desembarcar cargas na costa potiguar, aproveitando áreas isoladas de salinas entre Porto do Mangue e Macau.

Uma vez em terra firme, a mercadoria é fracionada em caminhões-baú menores que utilizam as rodovias do interior (como a BR-226) como rotas de interiorização. O objetivo é abastecer o comércio varejista informal de grandes centros urbanos e municípios vizinhos nos estados da Paraíba e Pernambuco, burlando a fiscalização das divisas estaduais.


O Prejuízo Tributário e Econômico

O contrabando de cigarros causa profundas distorções econômicas e fiscais no estado. Estimativas técnicas aplicadas sobre apreensões desse porte baseiam-se na evasão das alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e do ICMS estadual (cuja alíquota sobre o tabaco é uma das mais elevadas).

O prejuízo tributário direto decorrente deste carregamento específico — caso tivesse chegado ao consumo final sem o devido recolhimento de impostos — ultrapassaria a cifra de R$ 1,5 milhão em impostos sonegados que deixaram de ser revertidos em serviços públicos essenciais para a população potiguar.

Ademais, o Instituto de Desenvolvimento Econômico do RN alerta que o comércio ilegal mina a competitividade de comerciantes honestos e gera gastos extras de saúde pública, uma vez que cigarros contrabandeados não passam pelo controle sanitário da Anvisa, contendo níveis alarmantes de substâncias tóxicas proibidas. Toda a carga confiscada foi encaminhada para os depósitos da Receita Federal, onde passará por contagem minuciosa antes de sua destruição definitiva.

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João Batista de Moura

Com formação em Pedagogia, Teologia e Psicanálise, além de MBA em Marketing e Gestão de Pessoas, JB Moura construiu uma trajetória consistente e multidisciplinar voltada à comunicação, ao desenvolvimento humano e à liderança.

São mais de 20 anos dedicados à comunicação no Seridó e no Rio Grande do Norte, com atuação consolidada no jornalismo e no rádio, sempre marcada pela credibilidade, clareza e compromisso com a informação de interesse público. Sua comunicação se destaca pela responsabilidade editorial e pela capacidade de traduzir temas relevantes de forma acessível e impactante.

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