Diálogos revelam articulações diretas no gabinete presidencial e o desejo mútuo de deixar o Brasil; defesa de Fábio Luís critica vazamento de dados sigilosos.
Por Redação
Currais Novos/RN — 17 de agosto de 2026
A Polícia Federal (PF) anexou novos relatórios contendo o teor de mensagens de texto trocadas entre o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e a lobista Roberta Luchsinger. Os diálogos obtidos revelam que ambos tratavam de forma explícita sobre a intermediação de negócios particulares e articulações diretas junto ao núcleo duro do gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Contudo, o ponto que gerou maior repercussão de bastidores foi o teor de um diálogo interceptado no qual Roberta afirma textualmente a Lulinha que ambos operavam em um “nível diferenciado” e que o futuro de ambos seria residir na Suíça.
A rotina de lobby e as reuniões em Brasília
As investigações e áudios que integram o inquérito policial apontam que Lulinha mantinha forte intimidade com a rotina e com o imóvel mantido pela lobista em Brasília, atuando como peça-chave para facilitar o acesso de empresas privadas a autoridades públicas. Nas mensagens escritas, o filho mais velho do presidente detalha e coordena sua participação em reuniões com assessores de peso da Presidência, como Marco Aurélio Santana Ribeiro (conhecido como “Marcola”), e Swendenberg Barbosa (“Berg”), então secretário-geral do Ministério da Saúde.
O cerco em torno de Lulinha aumentou consideravelmente nos últimos meses. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, autorizou a abertura de um terceiro inquérito policial contra o empresário. Os procedimentos apuram se o grupo utilizou a proximidade familiar para chancelar contratos públicos fraudulentos na Dataprev e no Datasus, operando desvios na base de dados e nos recursos de aposentadorias de pensionistas do INSS.
Evasão e as reações jurídicas
O relatório da Polícia Federal aponta forte suspeita de que os planos de transferência para o exterior possuam o objetivo de evasão do país para escapar da aplicação da lei penal brasileira. Vale destacar que Lulinha já havia se mudado temporariamente para Madri, na Espanha, levantando manifestações de partidos e defesas técnicas. Em virtude das novas conversas sobre a Suíça, advogados chegaram a protocolar no STF pedidos de prisão preventiva para assegurar o andamento das investigações e barrar uma eventual fuga definitiva.
Em nota oficial enviada à imprensa, a defesa técnica de Fábio Luís Lula da Silva, liderada pelo advogado Roberto Podval, classificou a divulgação das mensagens como um “recorte seletivo e criminoso” de dados que violam o dever de sigilo funcional. A defesa reafirmou a inocência de Lulinha e apontou que a instrumentalização midiática do caso possui estritamente interesses de cunho político e eleitoral.
O presidente Lula também se manifestou publicamente sobre o caso, afirmando que conversou com o filho sobre as investigações e que, caso qualquer culpa ou ilicitude seja legalmente provada, ele pagará e responderá perante as instâncias formais da Justiça, sem direito a qualquer tipo de privilégio institucional.







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