O combate ao roubo, furto e receptação de dispositivos móveis ganhou uma nova e tecnológica dinâmica em todo o país. O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) apresentou os resultados consolidados da Operação Última Chamada, uma grande ofensiva policial desencadeada de forma simultânea em 23 estados brasileiros. Em apenas dez dias de mobilização integrada, as forças de segurança pública conseguiram recuperar mais de 6 mil aparelhos eletrônicos de origem ilícita e prenderam 97 suspeitos em flagrante.
O motor dessa operação foi o cruzamento de dados viabilizado pelo Banco Nacional de Celulares com Restrição (BNCR), implementado recentemente pelo governo federal. A plataforma unificada já reúne um acervo de mais de 3,3 milhões de registros de celulares roubados ou furtados em todo o território nacional. Através desse sistema, os investigadores conseguem monitorar o IMEI dos aparelhos e rastrear onde e com quem os dispositivos voltam a funcionar, permitindo uma ação cirúrgica das equipes.
O Impacto e as Intimações por WhatsApp no RN
No Rio Grande do Norte, a Polícia Civil, atuando em parceria com a Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz/RN), obteve resultados expressivos durante o período de 10 a 18 de agosto. Ao todo, a força-tarefa potiguar conseguiu recuperar 694 aparelhos celulares com queixa de roubo ou furto que estavam circulando ilegalmente por diferentes municípios do estado.
A metodologia utilizada chamou a atenção da população: a Polícia Civil do RN realizou o disparo em massa de intimações oficiais via WhatsApp, utilizando canais institucionais e números verificados específicos para este fim. As mensagens notificavam os atuais possuidores dos eletrônicos a comparecerem voluntariamente às delegacias de suas respectivas regiões para fazer a entrega do dispositivo. Caso o intimado ignore o chamado sabendo da restrição do aparelho, ele pode responder legalmente pelo crime de receptação.
Um Dado Curioso: A Honestidade Varia por Estado
Durante a apresentação oficial do balanço pelo ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, um dado estatístico curioso e comportamental foi revelado sobre a reação da população ao receber as intimações eletrônicas. O comportamento de quem comprou um celular roubado (muitas vezes sem saber) e é descoberto pela polícia varia drasticamente de uma região para outra no Brasil.
De acordo com o MJSP, o estado do Amazonas lidera o ranking nacional de devoluções espontâneas: mais de 55% dos amazonenses que receberam a mensagem da polícia foram imediatamente e por conta própria até a delegacia devolver o smartphone de origem criminosa. Por outro lado, nas demais unidades da federação — incluindo o Rio Grande do Norte e estados vizinhos do Nordeste —, a taxa de devolução voluntária fica bem abaixo, oscilando na faixa de apenas 20% a 30%. O restante dos aparelhos precisa ser recuperado por meio de buscas ativas das equipes policiais nos endereços identificados ou por meio de vistorias em lojas de assistência e revenda de usados.
Mercado de Usados em Alta e Novas Tecnologias
A explosão desse tipo de crime no Brasil — que registra uma média assustadora de 95 celulares levados por hora segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública — é alimentada diretamente pelo forte mercado de aparelhos seminovos. Consultorias de mercado apontam que, enquanto as vendas de smartphones novos caíram quase 8% no último ano devido à alta nos custos de componentes, o comércio de aparelhos usados e recondicionados cresceu no país, tornando-se uma alternativa econômica atrativa para os consumidores, mas que exige o dobro de atenção para evitar a compra de itens roubados.







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