Banco Central amplia prazo do MED para 80 dias e prepara rastreamento em camadas; dados revelam que a taxa de sucesso na devolução de dinheiro roubado ainda é inferior a 10%.
O ecossistema do Pix passa por sua mais importante atualização regulatória focada em segurança. Entrou em vigor a nova diretriz do Banco Central (BC) que altera o funcionamento do Mecanismo Especial de Devolução (MED), a ferramenta oficial criada para estornar valores movimentados por meio de crimes digitais, coação ou falhas operacionais do sistema.
A principal mudança prática estendeu de 30 para 80 dias o prazo para que pessoas físicas e empresas possam questionar uma contestação de fraude de forma reversa. A medida atende a um apelo urgente de pequenos comerciantes e prestadores de serviço, vítimas frequentes do chamado “Golpe do MED”: criminosos pagam por um produto legítimo via Pix, retiram a mercadoria e, logo em seguida, acionam de má-fé o botão de contestação no aplicativo do banco alegando terem sido roubados. Com o novo prazo de 80 dias, os lojistas ganham tempo hábil para apresentar notas fiscais e comprovantes de entrega, evitando o prejuízo duplo.
A Dura Realidade dos Números: O Raio-X das Contestações
Dados consolidados apresentados pelo Banco Central em painéis técnicos e auditorias do setor financeiro revelam o tamanho do desafio da segurança digital no país:
- A Explosão de Alertas: Desde a facilitação do processo de denúncia com a inclusão do “botão de contestação” direto nos aplicativos bancários, o volume de notificações de fraudes no Pix disparou em todo o território nacional.
- O Índice de Devolução: Apesar do alto volume de reclamações registradas pelos usuários, a taxa real de devolução de dinheiro segue abaixo de 10% das contestações abertas.
O motivo para esse índice de sucesso tão baixo é a impressionante velocidade de pulverização das quadrilhas. Assim que o dinheiro da vítima cai na conta de destino, os criminosos realizam transferências fracionadas e imediatas para dezenas de outras contas (“contas laranja”), esvaziando o saldo disponível antes que o banco consiga efetuar o bloqueio preventivo do MED.
O Cronograma do MED 2.0: O Rastreamento em Camadas
Para reverter o baixo índice de recuperação de fundos, o Banco Central preparou o cronograma do MED 2.0, um sistema automatizado inteligente estruturado em etapas:
- Rastreamento em Múltiplas Camadas: O sistema passa a monitorar e perseguir o dinheiro de forma contínua, mesmo quando o valor é quebrado e repassado para a segunda, terceira ou quarta conta subsequente.
- Mapeamento de Fundos: A exigência para o detalhamento e bloqueio desse fluxo de fundos fracionados em diferentes camadas bancárias passa a valer de forma plena em 26 de outubro de 2026.
Especialistas em segurança da informação reforçam que a agilidade continua sendo o fator mais determinante: ao cair em qualquer golpe, o usuário deve acionar o MED imediatamente pelo aplicativo do banco e registrar o Boletim de Ocorrência, pois as chances de reaver o dinheiro diminuem drasticamente a cada minuto que passa.






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