Há histórias que nos relembram o verdadeiro poder transformador do esporte, e a trajetória do jovem ala currais-novense Josenildo Alan da Silva Alexandria, o popular Alanzinho (@alanzinho__06), é o exemplo vivo disso. No último domingo (20), a bandeira do Seridó brilhou no topo do pódio europeu. Com apenas 20 anos de idade, o atleta sagrou-se campeão da Supercopa da Lituânia de Futsal (LFF Futsal Supertaurė), liderando o surpreendente FK Akmenė em uma vitória histórica contra o gigante e favorito Kauno Žalgiris.
Para quem assiste ao jovem erguer a taça sob os holofotes internacionais, pode não imaginar a velocidade com que a vida mudou. Cria das quadras de Currais Novos, Alanzinho iniciou sua caminhada na tradicional “escolinha de Ninha”, passando por equipes de base nacionais como o SIAP Golden antes de carimbar o passaporte para o Velho Continente. Deixar a terra natal, o calor da família e a rotina do interior potiguar há pouquíssimos meses para enfrentar o frio do leste europeu, a barreira do idioma e a solidão exige uma força mental gigantesca.
O sabor da glória internacional
A conquista da Supercopa veio coroar um processo intenso de afirmação. Em quadra, o currais-novense demonstrou a legítima essência do futsal brasileiro: velocidade, drible curto nas alas e uma leitura de jogo inteligente.
Ao término da grande final, a emoção de Josenildo desabou nas redes sociais em um desabafo que comoveu a cidade de Currais Novos: “Só eu sei tudo o que passei para chegar até aqui”. A medalha no peito valida cada noite de saudade e cada gota de suor derramada longe de suas origens.
🧠 O ouro que o interior exporta
A emocionante vitória de Josenildo Alan precisa ser analisada além do resultado do placar. Ela escancara uma realidade que mistura orgulho e reflexão: o interior do Rio Grande do Norte é um celeiro inesgotável de talentos de alta performance, mas que frequentemente precisa “vazar” do país para conseguir o reconhecimento, o contrato e a estrutura que merece.
Josenildo Alan é a prova viva de que a periferia e as escolinhas de base do RN formam cidadãos e atletas com capacidade de bater de frente com os milionários do esporte global. Que o choro de emoção do nosso jovem ao erguer essa taça na Lituânia inspire a garotada das quadras públicas e sirva de alerta ao poder público: o esporte de base não é gasto, é o maior investimento social que uma cidade pode fazer.








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