A economia brasileira e as finanças do Rio Grande do Norte operam sob o espectro de uma bomba-relógio fiscal programada para estourar a partir de janeiro de 2027. O encerramento dos ciclos governamentais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e da governadora Fátima Bezerra (PT) deixa um rastro de endividamento, déficits estruturais e maquiagens orçamentárias que vão engessar completamente a capacidade de investimento dos próximos gestores eleitos.

O Cenário Federal: A dívida pública e a erosão das regras fiscais

No plano nacional, a gestão de Lula deixará um passivo macroeconômico severo. O principal indicador da desconfiança do mercado é a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG), que rompeu a barreira histórica e projeta fechar o ano de 2026 orbitando a casa dos 90% do PIB. A equipe econômica do governo federal promoveu sucessivas flexibilizações no arcabouço fiscal, alterando metas e recorrendo a receitas extraordinárias de curto prazo, como a taxação de fundos e disputas judiciais para tentar mascarar o rombo.

O próximo presidente da República assumirá um Orçamento engessado por despesas obrigatórias crescentes e pela herança de pacotes de bondades eleitorais de última hora, como o recente reajuste linear de 15,04% no Bolsa Família anunciado às vésperas da eleição, cujo impacto para 2027 está estimado em R$ 22,7 bilhões. O teto de despesas está estrangulado, e a necessidade de uma reforma administrativa e fiscal profunda será a primeira e mais amarga tarefa do novo chefe do Executivo em Brasília.

O Cenário Estadual: O Rio Grande do Norte de pires na mão

Se em Brasília a situação é preocupante, no Rio Grande do Norte o quadro desenhado pela gestão de Fátima Bezerra é de insolvência fiscal. O estado encerra o segundo mandato da governadora com uma crise crônica de fluxo de caixa e um endividamento que paralisa os serviços básicos. O RN patina na arrecadação após perder receitas de ICMS, e a máquina pública estadual consome quase a totalidade dos recursos disponíveis apenas com o custeio da folha de pagamento de ativos e inativos.

A “herança maldita” que o próximo governador herdará inclui:

  • Atrasos com Fornecedores e Saúde: Um passivo bilionário acumulado com empresas terceirizadas de vigilância, alimentação escolar e fornecedores de medicamentos, que frequentemente operam sob ameaça de greve.
  • Paralisia da Infraestrutura: O atraso crônico nas obras da Adutora do Seridó e a malha viária estadual completamente esburacada são reflexos de um Estado que perdeu a capacidade de contrapartida financeira.
  • Precatórios e Empréstimos: Uma fila bilionária de ordens judiciais de pagamento (precatórios) e o vencimento de parcelas de empréstimos internacionais que começarão a cobrar seu preço nos próximos anos.

🧠 O populismo que cobra o preço na torneira e no bolso

A herança fiscal de Lula e Fátima Bezerra expõe as consequências diretas de um modelo político que prioriza o dividendo eleitoral imediato em detrimento da governança de longo prazo. Gastar mais do que se arrecada e inflar as despesas permanentes com base em receitas temporárias cria uma ilusão de prosperidade que dura apenas até o fechamento das urnas.

O próximo presidente e o próximo governador não terão espaço para promessas ou períodos de carência. Eles assumirão o comando com os cofres raspados e a obrigação de cortar privilégios, contingenciar verbas e enfrentar a fúria das corporações públicas para evitar o colapso total. O cidadão comum, que já sofre com a falta de água no Seridó por falta de verba na Adutora e com a precarização dos hospitais, descobrirá da pior forma que a conta da festa eleitoral sempre chega impressa em forma de mais inflação, juros altos e serviços públicos paralisados. O populismo fiscal é um cheque em branco que o futuro é obrigado a pagar.

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João Batista de Moura

Com formação em Pedagogia, Teologia e Psicanálise, além de MBA em Marketing e Gestão de Pessoas, JB Moura construiu uma trajetória consistente e multidisciplinar voltada à comunicação, ao desenvolvimento humano e à liderança.

São mais de 20 anos dedicados à comunicação no Seridó e no Rio Grande do Norte, com atuação consolidada no jornalismo e no rádio, sempre marcada pela credibilidade, clareza e compromisso com a informação de interesse público. Sua comunicação se destaca pela responsabilidade editorial e pela capacidade de traduzir temas relevantes de forma acessível e impactante.

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