A conta que não fecha no RN: Recorde de arrecadação e lanterna em eficiência pública

O cidadão do Rio Grande do Norte vive um paradoxo que dói diretamente no bolso. De um lado, as notícias mostram cofres cheios e arrecadação batendo recordes históricos. Do outro, basta sair às ruas, precisar de um atendimento médico ou olhar para a infraestrutura das estradas para perceber que o retorno simplesmente não vem.

A pergunta que todo contribuinte potiguar deve se fazer hoje é simples, mas desconfortável: o valor dos impostos que você paga condiz com o serviço que você recebe de volta?

Os dados mais recentes mostram que a resposta, infelizmente, é negativa.

O pote de ouro está cheio

Para entender o tamanho do problema, precisamos olhar para os números frios da arrecadação. Somente no primeiro semestre deste ano, o Governo do Rio Grande do Norte viu suas receitas com impostos crescerem significativamente, superando a marca impressionante de R$ 14,64 bilhões. Houve um incremento real de quase meio bilhão de reais em relação ao ano anterior.

Dinheiro entrando, o contribuinte pagando mais caro pelo consumo diário (como o ICMS, que pesa na gasolina, na energia e nas compras), mas a contrapartida sumiu.

A lanterna da eficiência no Nordeste

O choque de realidade vem quando cruzamos esse mar de dinheiro com o Ranking de Competitividade dos Estados, realizado pelo Centro de Liderança Pública (CLP). O estudo mede justamente a capacidade que um governo tem de transformar o imposto arrecadado em entregas práticas para a população, como Segurança Pública, Saúde e Educação.

Nesse termômetro da eficiência, o Rio Grande do Norte amarga a 20ª posição nacional. Mas o dado fica ainda mais alarmante quando olhamos para a nossa própria região: o RN é o penúltimo colocado de todo o Nordeste, ficando à frente apenas da Bahia.

Enquanto estados vizinhos com desafios históricos muito semelhantes: como o Ceará (11º geral) e a Paraíba, que conseguem modernizar a máquina pública e entregar resultados melhores, o RN patina na burocracia e na inércia.

EFICIÊNCIA PÚBLICA NO NORDESTE
(O Nordeste merece isso mesmo?)

  1. Ceará (11º no Brasil) – Referência regional
  2. Rio Grande do Norte (20º no Brasil) – Penúltimo do Nordeste
  3. Bahia (24º no Brasil) – Lanterna regional

O nó cego da Solidez Fiscal: Por que falta investimento?

Muitos se perguntam: se o estado arrecada mais de R$ 14 bilhões em um semestre, por que faltam insumos nos hospitais e asfalto nas rodovias estaduais? A resposta está no pilar de Solidez Fiscal, onde o RN ocupa a 26ª posição entre os 27 estados do país.

Estar na rabeira da solidez fiscal significa que o Rio Grande do Norte gasta quase tudo o que arrecada apenas para manter a máquina pública funcionando (folha de pagamento, encargos e custeio operacional). É o equivalente a uma família que ganha bem, mas gasta todo o salário pagando os juros do cheque especial e a manutenção de uma casa caindo aos pedaços. Não sobra nada para investir no futuro.

A “bitributação” invisível do cidadão potiguar

O pior efeito dessa ineficiência é o que os economistas chamam de custo de oportunidade, mas que o cidadão conhece como “pagar duas vezes”.

Como o Estado não devolve o imposto em serviços de qualidade, a classe média potiguar se vê obrigada a arcar com uma bitributação invisível:

  • Paga o imposto da segurança, mas precisa pagar a vigilância particular da rua ou a mensalidade do sistema de alarmes.
  • Paga o imposto da saúde, mas se desdobra para parcelar um plano de saúde privado para não mofar nas filas de espera.
  • Paga o imposto da educação, mas aperta o orçamento doméstico para colocar os filhos em uma escola particular.

O morador do Rio Grande do Norte trabalha meses do ano apenas para sustentar uma máquina pública que se tornou um fim em si mesma. O recorde de arrecadação de R$ 14,6 bilhões não é motivo de comemoração; é, na verdade, um lembrete incômodo de que estamos pagando muito caro por um produto que não está sendo entregue.


E você, concorda? O serviço público que você utiliza hoje no RN vale o imposto que é cobrado na sua nota fiscal? Deixe sua opinião nos comentários.

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João Batista de Moura

Com formação em Pedagogia, Teologia e Psicanálise, além de MBA em Marketing e Gestão de Pessoas, JB Moura construiu uma trajetória consistente e multidisciplinar voltada à comunicação, ao desenvolvimento humano e à liderança.

São mais de 20 anos dedicados à comunicação no Seridó e no Rio Grande do Norte, com atuação consolidada no jornalismo e no rádio, sempre marcada pela credibilidade, clareza e compromisso com a informação de interesse público. Sua comunicação se destaca pela responsabilidade editorial e pela capacidade de traduzir temas relevantes de forma acessível e impactante.

Mais do que informar, JB Moura comunica propósito. Em suas palestras e no Minuto Esperança, une conhecimento, fé e experiência para transmitir mensagens que despertam consciência, fortalecem valores e oferecem direção, impactando vidas com profundidade e esperança.

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